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Marino Franz: – O futuro de Mato Grosso é o etanol

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              O futuro de Mato Grosso é o etanol

Autor: Marino Franz

Um dos consensos em relação a pandemia do novo coronavírus é de que a partir da agora as pessoas ficarão mais atentas a saúde, sua relação com as questões ambientais e temas como mudança climática, poluição e emissão de poluentes. Isso fará com que parte da população mundial adote hábitos mais protetivos ao meio ambiente, além de cobrarem de seus governantes a adoção de medidas que visem a conservação ambiental.

Esta nova postura favorece as fontes alternativas de combustíveis. O uso de derivados do petróleo, em especial a gasolina, terá cada vez menos espaço. Espaço este que já vinha sendo reduzido com os programas de diminuição de gases poluentes adotadas pelos países signatários do acordo de Paris. Muitos países já colocaram limites para o fim do consumo de combustíveis fósseis. A China, por exemplo, maior consumidor do mundo está entrando muito forte na transição energética.

Ainda não existe consenso para os substitutos aos combustíveis fósseis, mas sem dúvida, a melhor alternativa são os biocombustíveis. Assim chegamos ao Brasil, com sua expertise na produção de etanol de cana de açúcar a agora de milho. Sempre é bom lembrar que construímos o primeiro carro 100% a álcool, um modelo Fiat, ainda na década de 1970. A história brasileira com o etanol tem altos e baixos, mas desde 2003, quando a Volkswagen lançou o primeiro veículo flex, o etanol se tornou definitivamente uma opção ao brasileiro.

O Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos como maior produtor de etanol no mundo. Mas, enquanto nosso etanol tem como origem a cana de açúcar e o milho, nos EUA o combustível é produzido apenas a partir do milho. A entrada do etanol de milho na matriz energética brasileira corrigiu um problema gerado pela natureza, a entressafra da cana, quando os estoques de etanol reduziam e os preços do produto subiam. Hoje, é possível manter a produção e os preços estáveis o ano todo.

Mato Grosso é o maior produtor de etanol de milho no país, seguido de Goiás e Paraná. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados no último mês de maio, apontam que o milho já é responsável por 1,4 bilhão de litros do etanol total produzido no país, somando-se anidro e hidratado. A estimativa para Mato Grosso é chegar a produção de 5 bilhões de litros do biocombustível por ano.

Atualmente, o estado conta com 13 unidades produtoras de etanol, sendo sete exclusivamente de cana, três flex (cana e milho) e três de milho. Mais três unidades exclusivas de milho estão previstas para serem inauguradas nos próximos meses.

Ainda de acordo com o último levantamento da Conab, as perspectivas para a produção brasileira de milho são de uma colheita de 101,9 milhões de toneladas, sendo 75,4 milhões de toneladas somente na segunda safra. Mato Grosso representa a maior área cultivada do país, com 5,4 milhões de hectares – um acréscimo de 10% da safra passada – e a maior produção com 34,5 milhões de toneladas – 10,2% maior que a safra anterior. E o milho tem a vantagem de ser estocável, ao contrário da cana.

Embora o consumo de etanol tenha sofrido um revés no país durante a pandemia – resultado da queda de consumo pela paralisação econômica e a disputa entre os grandes produtores de petróleo, Rússia e Arábia Saudita – o combustível já recupera sua posição no mercado. A política nacional para os biocombustíveis, o Renovabio, entrou em operação e mais de 220 unidades já aderiram ao programa, dando perspectivas otimistas ao setor. Alguns gargalos ainda persistem, como logística e políticas públicas – principalmente em relação a licenças ambientais e tributação – mas o setor sucroenergético e a União trabalham juntos para superar isso.

Com matéria prima abundante, expertise e um mercado consumidor mundial de prestes a explodir, o cenário para a produção de etanol não poderia ser melhor para o Brasil, e em especial para Mato Grosso. Este cenário faz o setor acreditar que poderemos nos tornar a maior região produtora do bicombustível no mundo em alguns anos.

Marino Franz é sócio fundador da FS Bioenergia e presidente de Fundação de Pesquisa Rio Verde

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Itallo Leite: – Adaptação: presente e futuro da advocacia

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          Adaptação: presente e futuro da advocacia

Autor: Itallo Leite

Há 193 anos comemora-se o Dia do Advogado, na data em alusão à lei de criação dos primeiros cursos de Direito no Brasil, implementados em 11 de agosto de 1827, por D. Pedro I, em Recife e São Paulo.

Nesses quase 200 anos, muita coisa mudou para quem exerce a advocacia como profissão, mas nunca presenciamos uma transformação tão acelerada quanto nos últimos meses.

O ano de 2020 será um marco na história da humanidade, pelo enfrentamento da “Pandemia” do novo Coronavírus, e institui uma nova era para todos os advogados e advogadas dentro do universo digital.

A tecnologia que altera as dimensões de tempo e espaço e constitui novas relações sociais é o grande vetor de transformação pelo qual estamos passando enquanto profissionais do Direito.

É interessante ver que o “novo normal”, termo que apesar de ter apenas poucos meses de uso já é considerado clichê, obedece aos mesmos preceitos da teoria da seleção natural de Darwin, publicada em 1859: quem sobrevive não é o mais forte, é quem se adapta mais rápido.

Saímos do século 19 para um século 21 cheio de desafios. Entramos na era da Advocacia 5.0, uma revolução que busca a solução de problemas sociais com alternativas inteligentes e digitais. É a união entre a tecnologia e o humano, permitindo que descentralizemos tudo e possamos atuar de qualquer lugar.

Inteligência artificial, sistemas de gestão de escritórios e processos, plataformas de resolução de conflitos online, ferramentas de automação, decisões judiciais virtuais, banco de dados como assessores. Tudo isso pode ser assustador num primeiro momento, mas está posto e precisamos tirar o máximo de proveito.

E é justamente nestes contextos que a atuação das instituições se torna essencial para respaldar que as evoluções ocorram, mas que também haja oportunidade para que todos possam integrar a transformação.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) está atenta às mudanças que vêm ocorrendo e, por meio de suas comissões, tem buscado facilitar a adaptação dos profissionais da advocacia para esta nova realidade.

A advocacia 5.0 tem que ocorrer o mais próximo possível de sua própria proposta: de forma integral, rápida e universal, não permitindo que advogados e advogadas fiquem de fora por falta de oportunidade. A OAB-MT está buscando meios de democratizar o acesso às novas ferramentas profissionais, de acompanhar as exigências que surgem e de suprimir distâncias tecnológicas ou físicas.

Advogados e advogadas de todos os municípios precisam ter as mesmas condições de trabalho que os profissionais dos grandes centros. Assim como os mais jovens precisam se unir aos mais experientes para trocar expertises, cada um com sua visão sobre a profissão e os instrumentos do Direito.

Temos novos conceitos sendo implantados como o Legal Design, uma interligação entre o design, o Direito e a tecnologia que busca resolver problemas, simplificar os processos e facilitar a vida dos nossos clientes. É focado na empatia para gerar resultados e entregar valor para as pessoas e as empresas que atendemos.

Adaptação é o termo que define o presente e o futuro da advocacia. Temos soluções e ferramentas à disposição que nos permitem trabalhar de qualquer lugar. Precisamos construir ou adaptar a carreira a esse novo momento do mundo, que muda em alta velocidade.

Voltando mais uma vez ao século 19, uma famosa frase atribuída a Henry Ford, nascido em 1863 e pai da indústria automobilística, dizia: “se eu tivesse perguntado às pessoas o que elas queriam, teriam dito cavalos mais rápidos”.

Ford criou a linha de produção, reduziu o tempo e os custos para produzir um carro e transformou o mundo. É essa ousadia que deve nos inspirar.

Se perguntássemos a muitos profissionais do Direito, hoje, o que eles querem, muitos diriam uma Justiça mais célere. Nós, advogados e advogadas, mediadores dos processos legais, podemos e devemos transformar os desafios em oportunidades.

Que essa data comemorativa seja um novo marco para a nossa profissão, a partir da atitude de cada um que acredita que pode se adaptar, fazer melhor e colaborar para fortalecer a advocacia de Mato Grosso e tornar a Justiça mais eficiente e justa para todo o Brasil.

Parabéns, advogados e advogadas!

ITALLO LEITE – Presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de Mato Grosso (CAA/MT)

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