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Maria Augusta Ribeiro: – Smartphone X Crianças 

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                                    Smartphone X Crianças

Por: Maria Augusta Ribeiro –  

Não faz muito tempo que a preocupação dos pais era o quanto uma criança ficava na frente da TV. Hoje o acesso irrestrito à internet nos faz pensar se, ao colocar um smartphone na mão de uma criança, ela conseguirá se comunicar e estará segura.

O ritmo da vida moderna impôs um timing cruel às gerações de famílias que tentam criar seus filhos utilizando a tecnologia como ferramenta de monitoramento mais do que de comunicação.

O tempo livre, que antes era dedicado a passeios no parque, troca de experiências e àquela observação cautelosa dos pais para ver se estávamos fazendo algo errado foi substituído por uma tela azul  brilhante. 

Especialistas no tema alertam sobre os riscos do uso desses aparelhos por bebês e crianças cada vez mais jovens. Mas, afinal, qual a idade certa para uma criança ter um smartphone? 

A sociedade canadense de pediatria aconselha que menores de 12 anos não possuam aparelhos com acesso a internet, e recomenda que a exposição à internet não passe de 3 horas diárias. 

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O assunto é pra lá de polêmico, já que, à medida que as crianças começam a ter em suas mãos um celular com idades que variam de 5 e 10 anos, defendem o uso deliberado do aparelho em busca de respaldo. 

E antes que você me diga que seu filho é maduro o suficiente para ter um smartphone aos 10 anos, é bom lembrar que o córtex pré-frontal, parte do cérebro que controla o impulso, só está totalmente desenvolvido aos 20 anos.

Lógico que não estamos falando de criar um E.T. que não possa usar a internet porque seus pais o proíbem, e sim o texto pretende uma reflexão. Será que seu filho está seguro?

Se falarmos de saúde, a exposição massiva às telas brilhantes pode causar atraso no desenvolvimento da criança, alterações no sono, déficit de atenção, e até vício infantil. 

Outro fator a se preocupar é a comunicação, pois, mesmo que seus filhos sejam hiperconectados, muitos sequer sabem ter uma conversa cara a cara. Há necessidade de interagir mais com pessoas do que com a tecnologia, e, se isso começa desde cedo, podemos ter adultos emocionalmente despreparados para uma comunicação em ambiente que não seja digitalizado. 

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A constante exposição das crianças à tecnologia móvel as torna vulneráveis, sujeitas a serem expostas a abusos. E, antes que você me diga que seu filho é uma criança independente para a sua idade, lembre-se estamos aptos a dirigir somente aos 16 anos, e não quando desejamos ter acesso à chave do carro. 

Sem dúvidas a tecnologia traz benefícios às crianças, que têm acesso à informação em tempo real, aplicativos, jogos e conexão com os amigos. Mas também são responsáveis por expor nossos pequenos a problemas que eles ainda não têm discernimento para compreender. 

Ao dar um smartphone para uma criança, lembre-se de que a idade não é tão importante quanto a responsabilidade dela sobre o uso do aparelho. Use o bom senso. 

Maria Augusta Ribeiro. Profissional da informação, especialista em Netnografia, escreve para o Belicosa.com.br.

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Mais crianças com miopia: uma triste realidade do século XXI

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Autor: Pedro Duraes*

Não é de hoje que a comunidade médica vem se preocupando cada vez mais com a visão das crianças. Bem antes de 2020 já era comum que víssemos os pequenos continuamente focados na tela de celulares e tablets em momentos em que deveriam estar gastando a energia em brincadeiras ao ar livre. Porém, com a necessidade de manter as crianças em casa por dois anos – muitas delas com condições de comorbidade e, assim, mais suscetíveis à Covid-19 – essa questão aumentou consideravelmente, principalmente com as aulas online.

Nós, seres humanos, somos resultado da evolução. E a evolução consiste em mudarmos, ao longo de muito tempo, alguns aspectos físicos, biológicos e fisiológicos, de forma a adaptá-los a novas necessidades. Com a rápida ascensão da internet e das tecnologias digitais neste início de século, ainda não tivemos tempo para evoluir os olhos a ponto de garantir a saúde ocular das gerações atuais frente à exposição de telas e luzes brancas com que temos que lidar continuamente. O que acontece, então? Acontece que as pessoas estão desenvolvendo mais problemas visuais, cada vez mais cedo, e nossas crianças também.

Um estudo feito com crianças chinesas e publicado pelo periódico JAMA Ophthalmology no início deste ano revelou os primeiros dados analíticos em larga escala sobre o fato de a pandemia ter aumentado – e ainda estar aumentando – os casos de miopia entre a população infantil. Segundo os números publicados, entre os anos de 2015 e 2019 a incidência de miopia em crianças de seis anos era de 5,7%. Em 2020, esse número saltou para 21,5, sendo que o aumento também foi percebido nos menores de sete e oito anos. Em todos os casos, o estudo indica que esse resultado se relaciona diretamente com o fato de as crianças se forçarem a olhar algo muito de perto – situação que se observa quando elas usam smatphones, tablets e fazem aulas online.

Até agora falei de crianças em idade escolar. Mas, e quando se trata de crianças ainda menores de dois anos? Bom, aqui é importante dizer que, nesse período da vida, as crianças têm um tecido ocular maleável e que se deforma com facilidade, favorecendo o surgimento da miopia.

A miopia tem fatores genéticos e ambientais – filhos de pai ou mãe míopes têm mais chances de desenvolver o distúrbio visual – e é caracterizada por um globo ocular mais “longo”, o que provoca a formação da imagem antes que a luz chegue até a retina, causando dificuldades em ver de longe. Porém, se considerarmos a realidade das crianças do século XXI, a causa desse aumento está mais ligada ao uso de telas do que à hereditariedade. É verdade que, antigamente, não havia um cuidado preventivo como há hoje, com os responsáveis levando seus filhos para começarem cedo nas consultas com oftalmologistas – se há mais cuidados e exames, também há mais diagnósticos e mais crianças usando óculos. Por outro lado, o estilo de vida que levamos atualmente favorece, sim, o surgimento de problemas oculares e não deixa de ser alarmante indicar lentes de grau alto a crianças tão pequenas por razões que são, sim, possíveis de serem evitadas ou contornadas.

Tudo bem que elas são a geração Z, que já nasceram imersas em tecnologia e no mundo digital, mas os cuidados com os excessos transcendem as gerações e, assim como o próprio ser humano, também precisam evoluir conforme as necessidades do momento. E a necessidade, neste momento, é: evite que seus filhos passem tempo demais em telas. As crianças são o nosso futuro e precisamos que elas enxerguem longe.

*Pedro Duraes é oftalmologista e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro – Unisa

Fonte: 

https://jamanetwork.com/journals/jamaophthalmology/fullarticle/2774808

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