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Manoel Vicente de Barros: – O suicídio e o pedido de perdão

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        O suicídio e o pedido de perdão

Autor: Manoel Vicente de Barros

Recentemente em Várzea Grande mais um jovem, de apenas 17 anos, cometeu suicídio. Sua ultima mensagem foi um pedido de perdão.

Culpa.

É um sentimento constante em quem sofre de Depressão, a doença altera toda a percepção do indivíduo, como uma lente de negatividade. As memórias ficam distorcidas, as mágoas crescem e toda lembrança parece cinza. A auto imagem, percepção de si mesmo, também piora, a pessoa se sente incapaz e inútil.

“Eu só dou trabalho”, é um pensamento que ressoa na mente depressiva. Acreditar que está daquele jeito por falta de força de vontade, de orações ou de coragem reforça a idéia que o culpado por tudo é a própria pessoa.

A Culpa pode aumentar quando, apesar de várias tentativas, o ânimo não volta e a tristeza não vai embora. Como uma intrusa ela toma conta de tudo, às vezes sem qualquer motivo. Ela fica lá, com vários dedos apontados para a ferida de quem está sofrendo.

Você não é uma boa esposa, uma boa mãe, é um péssimo pai, um amigo ruim, um filho ingrato. E com isso a Culpa toma conta de todas as relações interpessoais e familiares, o suicídio seria uma tentativa de aliviar o peso que os entes queridos carregam.

Para prevenir esses atos é essencial diminuir o tempo entre o início dos sintomas e um tratamento efetivo, traçado por um médico psiquiatra. A Culpa é um sintoma causado pela própria Depressão, a intervenção deve aliviar também esse sentimento.

Justamente por isso, os que ficam não devem se sentir culpados, não dependia só de você.

Perdão.

Não existe perdão, de mãe ou de filho, que alivie essa sensação sem que a doença tenha sido tratada. O caminho para a paz passa por um profissional qualificado.

Se você convive com alguém deprimido, entenda que esse sentimento pode estar transbordando diariamente. Não seja você a apontar mais um dedo. Quando possível ofereça perdão, mas sempre ofereça tratamento. Ofereça perdão, quando possível, mas sempre ofereça tratamento.

Ao contrário do que se pensa, Depressão tem tratamento!

Manoel Vicente de Barros é Médico Psiquiatra em Cuiabá e atua no tratamento de Depressão e Ansiedade, CRM 8273, RQE 4866.

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Gestor ou Psicólogo: O papel dos líderes na pós-pandemia

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Autora: Mariane Guerra –

Após um ano e meio de pandemia e com o avanço da vacinação, já é possível olhar em perspectiva as principais mudanças experimentadas pelas empresas e, também, listar processos e experiências que dificilmente retrocederão. Se por um lado foi extremamente desafiador para as companhias implementarem rotinas que viabilizassem a continuidade de suas operações, por outro foi igualmente estressante para os profissionais de RH liderarem todo este processo em um cenário cheio de incertezas.

E não chega a ser uma novidade para os gestores que as desigualdades existentes em nossa sociedade, como a distribuição por vezes injusta de responsabilidades no seio familiar entre homens e mulheres ou a falta de acesso a infraestrutura básica de comunicação em muitos bairros, mesmo nos grandes centros, impactam fortemente a performance do profissional no ambiente corporativo.

Contudo, ainda que exista uma conscientização muito maior dos líderes quanto à importância de atuar para mitigar estas situações – e verdade seja dita, existem iniciativas empresariais muito interessantes neste sentido -, é fato que ao se direcionar fisicamente ao trabalho as pessoas acabam centralizando estes problemas e tratando como questões particulares. Mas com muitos profissionais atuando em home office durante a pandemia, estas situações foram escancaradas e deixaram de ser uma questão particular do trabalhador ou do gestor de RH e precisaram ser enfrentadas pela alta liderança das companhias.

Neste cenário, adiciona-se questões trazidas pela própria pandemia, como o aumento da ansiedade e da depressão entre os trabalhadores. Para se ter uma ideia, um estudo realizado pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), em dezembro, nos EUA, mostrou que 42% dos entrevistados afirmaram ter sintomas das enfermidades, o que significa um incremento de mais de 200% em relação à média de 2019. E no Brasil o cenário não é diferente, pois os dados de um levantamento realizado pela Universidade de São Paulo (USP), em onze países, mostrou que os brasileiros são os que mais tiveram casos de ansiedade (63%) e depressão (59%) durante a pandemia.

Assim, com este cenário precisando ser enfrentado pela alta liderança das empresas, a busca de soluções voltou-se novamente para os gestores de RH, que neste cenário acabou tendo a sua atuação confundida com a de um psicólogo. Mas apesar de parecer uma situação difícil ser superada pelas companhias, a solução é simples e se resume a uma palavra: Empatia.

Apesar dos avanços que observamos nos últimos anos no que diz respeito aos benefícios direcionados aos funcionários por parte das empresas, é fato que ainda existe uma certa resistência de alguns líderes – principalmente em corporações mais tradicionais – em implementar ações como, por exemplo, a possibilidade de flexibilizar o horário de entrada e saída dos colaboradores; ou a ampliação de programas voltados à saúde específica da mulher e a promoção da diversidade.

Por isso, a capacidade de exercitar a empatia é o ponto chave para que as empresas consigam superar tanto os desafios trazidos pela pandemia, quanto situações que já estavam postas antes deste período. Na área de gestão do capital humano não existe uma fórmula padrão, pois cada companhia tem suas peculiaridades, mas quando a alta liderança está comprometida em implementar programas e ações que extrapolam os muros da empresa e colaborem para a solução de um problema do funcionário todos saem ganhando. No cenário pós-pandemia, os líderes que resistirem em praticar a empatia, sem dúvida, estarão fadados ao fracasso.

  • Mariane Guerra é vice-presidente de Recursos Humanos da ADP na América Latina
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