ARTIGO

Luiz Alexandre Castanha: – Aprendizagem digital: os dois lados da moeda – criação de conteúdos interessantes e motivação para estudar mais

Publicados

em

 

Aprendizagem digital: os dois lados da moeda – criação de conteúdos interessantes e motivação para estudar mais

Autor: Luiz Alexandre Castanha

A Pandemia da Covid-19 representa uma circunstância completamente sem precedentes. Foram incontáveis as mudanças provocadas na rotina das pessoas, principalmente no que diz respeito à maneira de trabalhar, ensinar e aprender.

De acordo com uma pesquisa elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), até abril de 2020, cerca de 60 países já adotaram o home office como uma alternativa ao trabalho presencial. E durante esse período surge a oportunidade para profissionais e empresas focarem mais em qualificação.

De olho nessa tendência, as empresas começaram a adotar metodologias de Ensino a distância (EAD) em seus treinamentos e ações de educação corporativa, buscando melhorar o desempenho dos colaboradores.

A questão é: como garantir que os programas de capacitação sejam eficientes também em ambientes digitais? Como o colaborador pode fazer para se engajar mais em um treinamento feito através da tela do computador?

É verdade que, mesmo antes da pandemia, o ensino a distância já estava em plena ascensão. Prova disso é que, ao final do ano passado, os alunos matriculados em cursos superiores EAD representavam mais de 26% do total de graduandos no Brasil.

E da mesma forma que nos cursos presenciais, já se sabe que o empenho e participação do aluno são itens fundamentais para conseguir um alto rendimento. No entanto, a tecnologia pode ser uma grande aliada.

Parece até redundante, usar da tecnologia para aprender com tecnologia, não é mesmo? Mas é a pura verdade. O colaborador pode explorar desses recursos para favorecer a sua eficiência em treinamentos digitais.

O estudo on-line começa pela familiarização com o ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Além do básico, que é garantir um local reservado e sem distrações para assistir aos conteúdos do treinamento, o AVA pode se tornar uma verdadeira sala de aula. É nele que estarão concentrados todos os materiais, o calendário com a programação de tarefas, as atividades a serem concluídas, além dos contatos dos professores e aprendizes.

E o que pode te ajudar nesta etapa? Existem diversas opções de aplicativos, por exemplo, para bloquear as redes sociais por um tempo, gerenciar de tarefas para não se esquecer de nada, agendas virtuais, entre várias outras.

Além disso, já existe uma série de devices dotados de tecnologias inovadoras, como a capacidade de isolar ruído externo, multiplicar a conectividade e ampliar as plataformas utilizadas.

Outro recurso que pode favorecer o colaborador durante um treinamento são os grupos digitais, formados por meio de apps e facilmente acessados até por dispositivos móveis. Estar em contato com pessoas que participam do mesmo treinamento, além de trocar ideias, dúvidas e compartilhar conteúdos é sempre uma ótima opção para aprendizagem.

Já no lado de quem planeja e executa os treinamentos, a tecnologia também oferece recursos e metodologias capazes de aperfeiçoar, e muito, todo o processo. Por isso, é preciso considerar que conceitos inteligentes de e-learning requerem recursos apropriados, pessoas treinadas e com tempo para desenvolver isso.

Além da abordagem multiplataforma, que envolve diferentes canais e recursos oferecidos pela tecnologia, o microlearning tem se mostrado um formato de aprendizagem efetivo em casos de treinamentos. Ele facilita o processo de treinamento em doses pequenas, de forma objetiva e direta.

Para isso, a dica é dividir o conteúdo em pequenas partes. É preciso fazer uma combinação acertada de aulas, textos e exercícios em vez de, simplesmente, transmitir pela internet uma palestra de horas, por exemplo.

Outra metodologia que vem sendo aplicada é o adaptive learning, fundamental para manter o conteúdo o mais interessante e relevante possível e aumentar o interesse do público. O conceito consiste, basicamente, em focar naquilo que complementa o conhecimento prévio da audiência. E uma simples pesquisa on-line, gerada de maneira gratuita por diversas plataformas existentes, pode evitar esse desgaste.

Além disso, para deixar o treinamento ainda mais refinado, podem ser disponibilizados artigos e materiais complementares aos conteúdos em um banco de dados, sem nenhuma complexidade.

Estamos vivendo tempos desafiadores e esta é a oportunidade perfeita para explorar todo o potencial que a comunicação e a educação à distância têm a oferecer.

Luiz Alexandre Castanha é especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais. Mais informações em https://alexandrecastanha.wordpress.com/

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Paula Gomes: - O novo normal
Propaganda

Artigos

Dra. Alessandra Paes Barreto Arraes: – COVID-19 e a possibilidade de reconhecimento da doença como ocupacional

Publicados

em

 

COVID-19 e a possibilidade de reconhecimento da doença como ocupacional

Autora: Dra. Alessandra Paes Barreto Arraes

Após a suspensão do artigo 29 da Medida Provisória 927/2020, feita pelo STF (Supremo Tribunal Federal), passaram a divulgar a informação de que a COVD-19 passou a ser considerada doença ocupacional. Entretanto, esse não foi o efeito trazido pela decisão.

O artigo 29 da referida medida disciplinava que os casos de contaminação não seriam caracterizados como ocupacionais, salvo prova do nexo causal (relação entre o acometimento pela doença e o trabalho). O texto impunha ônus excessivo ao trabalhador, vez que obrigava o empregado a comprovar, em qualquer situação, que a doença tinha sido adquirida no local de trabalho. Caso contrário, seria presumido que a enfermidade foi contraída fora do ambiente laboral.

A suspensão do artigo citado pelo STF não atribuiu automaticamente caráter ocupacional a todos os casos de contaminação pelo novo coronavírus. A alteração apenas restabelece a situação anterior prevista na legislação previdenciária (Lei 8.213/91) a respeito da caracterização da doença ocupacional.

De acordo com a redação do artigo 20 da lei, apenas nos casos ali determinados, constantes da listagem do anexo II do Decreto 3.048/1999, a doença será presumidamente considerada ocupacional, sendo desnecessária a comprovação do nexo causal.

Fora das hipóteses citadas nos incisos I e II do dispositivo, conforme o parágrafo segundo do mesmo artigo, apenas em casos excepcionais haverá a presunção do nexo de causalidade entre o trabalho realizado. Vale destacar que a doença que não consta na lista prevista no Decreto apontado.

Assim, em todos os demais casos, é necessária a comprovação do nexo causal para que se caracterize determinada doença como ocupacional.

De acordo com a lei, é possível apontar, ainda, que a doença endêmica (por se disseminar por toda uma região) não é considerada ocupacional, exceto se houver prova de que decorreu de exposição ou contato direto relacionado à natureza do trabalho.

Da análise das considerações acima, no que se refere à COVID-19, há a necessidade de se comprovar o nexo entre a contaminação e o trabalho para caracterizá-la como doença ocupacional, uma vez que a doença é nova e não está prevista na lista do decreto 3.048/99. O novo Coronavírus ainda pode ser analogicamente inserido no parágrafo primeiro, letra “d”, do artigo 20 comentado, que dispõe sobre doenças endêmicas.

Assim, para os trabalhadores em geral, será necessária a análise de cada caso. De qualquer modo, nessas situações, cabe ao empregador comprovar que adotou todas as medidas necessárias de proteção do ambiente de trabalho para afastar o nexo causal e ao empregado demonstrar que, a despeito das precauções da empresa, adquiriu a enfermidade no local.

Já para os trabalhadores que atuam em atividades que, pela sua natureza, são consideradas de alto grau de exposição, como os profissionais da saúde e coveiros, a situação é diferenciada. Para eles, é possível presumir o nexo causal, tendo em vista que as próprias condições especiais do trabalho expõem os profissionais ao contato direto com o vírus.

Dra. Alessandra Paes Barreto Arraes faz parte do quadro de especialistas do escritório Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados e é bacharela em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em 2012. Especialista em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes (UCAM-RJ), em 2014, inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil sob o n° 428.020.

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Levy Seiya Maeda e Ticiana Giovannetti: - Não a espuma floral
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA