OPINIÃO

Leandro Ramos: – A dificuldade alimenta a criatividade

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               A dificuldade alimenta a criatividade

Autor: Leandro Ramos

Em tempos marcantes, muitas coisas são impactadas e precisam ser reinventadas ao longo desse percurso. A música é uma delas. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o cenário musical vem apresentando uma série de mudanças. Como por exemplo, milhares de shows que aconteceriam em 2020 foram cancelados ou adiados. Até conseguimos superar os adiamentos, mas os cancelamentos machucam. Festivais europeus, americanos, asiáticos – todos cancelados ou adiados. Imagine a logística no retorno desses eventos, seja para fãs ou para as bandas que geralmente recebem os valores combinados antecipadamente. Músicos sem shows não vivem da mesma forma. Boa parte do ganho desses artistas vem de apresentações feitas para seu fãs. E não temos mais isso.

E a pandemia fez muitos deles se reinventarem. Em vez de shows com centenas de milhares de pessoas disputando o melhor espaço para ver seus ídolos, transmissões ao vivo pela internet (lives) diretamente para o conforto e a segurança da casa dos fãs. É claro que a emoção não é a mesma, mas é o que temos. Em termos de custos, os fãs também saíram ganhando, com milhares de opções de entretenimento ao vivo sem precisar desembolsar um centavo. E os artistas viram no patrocínio e no merchandising das lives uma nova forma de serem recompensados pelo seu trabalho.

Acompanhei algumas lives que deram o que falar. Bruno e Marrone, Ludmilla, Raça Negra, Rolling Stones, Capital Inicial e Gustavo Lima tiveram alguns momentos engraçados – justamente por serem proporcionados dentro das casas dos músicos. Estão mais à vontade, as vezes exageram nos drinks e até caem na piscina “sem querer”. Todas as logísticas feitas nesses eventos foram de tirar o chapéu. Qualidade sonora muito boa e limpa. Os espectadores puderam ouvir seus instrumentos e vozes favoritas com mais nitidez. Detalhes que nunca haviam ouvido ou até mesmo visto seus ídolos em outro ambiente, fazendo música.

Outra mudança no cenário musical foram as composições. Garanto que todos esses músicos que estão em casa sem poder fazer turnês estão em casa produzindo música. E música com sentimento. Propósito. Não quero dizer que não faziam antes. Mas com todo esse isolamento, a composição se aflora. Seja por afeto, raiva, paixão, saudade, arrependimento, esperança. A dificuldade alimenta a criatividade.

Temos muitos exemplos de músicas feitas em tempos difíceis que marcaram épocas e uniram a sociedade. Bob Marley fazia isso com maestria, como vimos em “Get Up Stan Up: Stan Up for your Rights” (Levante, Resista: levante pelos seus direitos). Tupac, na música “Changes”, retratava seu cotidiano com clareza e sinceridade sobre os apertos de ser negro nos anos 90, nos Estados Unidos. Aliás, tema que ainda continuamos a comentar depois de tantos anos.

“Heal the World”, linda canção feita por Michael Jackson. Na letra, o artista faz um apelo por um mundo melhor. Antes de entrar na melodia, há uma introdução composta e conduzida pelo maestro Marty Paich (1925-1995), em que uma criança pede: “pense nas futuras gerações e diga que você quer fazer um lugar melhor para uma criança. Assim, elas saberão que terão um mundo novo para viver. Música feita em 1992. Michael Jackson também compôs, em 1985, “We are the World”, junto com Lionel Richie, Quancy Jones and Michael Ormation. Um single juntando dezenas de cantores famosos da época fazendo uma arrecadação contra a fome na África. Foram arrecadados o equivalente a 63 milhões de reais, na época.

Essas músicas são exemplo de superação e esperança de um mundo melhor. Fator que estamos precisando no momento. A minha esperança, além de que tudo isso acabe logo, é que tenhamos fortes composições com sentimentos e propósitos. Álbuns imortais e expressões que marcarão a vida de todos daqui pra frente.

Leandro Ramos é licenciado em Música, produtor musical e professor de Música no Colégio Positivo.

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José Wenceslau de Souza Júnior: – Toda crise traz mudanças!

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                  Toda crise traz mudanças!

Autor: José Wenceslau de Souza Júnior

Em 2020, estamos vivendo um divisor de águas, pois a Covid-19 está fazendo todos se reinventarem, e consequentemente, o comércio também.

O comerciante deve preparar a loja para receber o cliente, e se atentar ao comportamento, já que ele está menos consumista, mais exigente e cuidadoso.

O cliente mudou a percepção sobre as marcas, em destaque estão as empresas que possuem boas ações, atendimento diferenciado, tanto na forma presencial, quanto on-line (WhatsApp, Chatboot, Instagram, Facebook, site e e-mail marketing).

O que consumir também entrou nas indagações do cliente, pois o supérfluo deixou o lugar para o essencial, desde a alimentação, viagens, cabeleireiro, vestuário, até móveis, eletrodomésticos e veículos.

Já para o comerciante, o desafio é se adequar às normas sanitárias e de distanciamento sem perder a qualidade no atendimento, manter o preço competitivo da loja física, em relação às lojas virtuais.

De acordo com pesquisa realizada por uma empresa especializada em inteligência de mercado, 51% dos consumidores brasileiros comprarão mais pela internet ou por aplicativos, sendo que 45% das compras realizadas nos últimos três meses foram feitas pela primeira vez, ou seja, até os mais receosos perderam o medo de utilizar o cartão de crédito no universo digital.

E o comércio, gerador de cerca de 66% da arrecadação do ICMS em Mato Grosso, e empregador de mais da metade dos trabalhadores com carteira assinada – precisa de atenção. Não me refiro apenas ao gestor do negócio, mas atenção do poder público.

Com o aumento das compras pela internet, o consumo nas lojas físicas já diminuiu, e uma readequação dos impostos deve ser feita, para evitar uma competição desigual entre lojas físicas x virtuais.

Por outro lado, há 40 anos atuando no comércio mato-grossense, já vivenciei outras crises e tenho certeza que vamos superar mais essa. O consumo retraído neste período de isolamento e recessão econômica, vai se estabilizar, talvez não na velocidade que desejamos, mas no último trimestre deste ano, os consumidores voltarão a realizar as compras – sem receios.

E mais uma vez ressalto, o comércio é importante para o desenvolvimento social, porque por trás de um CNPJ, existem muitos CPFs.

José Wenceslau de Souza Júnior, comerciante há mais de 40 anos e presidente da Fecomércio, Sesc e Senac em Mato Grosso.

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