Artigos

João Marcos Andrade: – Novos tempos no comércio global

Publicados

em

 

           Novos tempos no comércio global

Autor: João Marcos Andrade

Nada como um dia após o outro”. Na economia teríamos que usar o termo “nada como uma década após a outra” para constatarmos com precisão fatores como a alternância de planos econômicos, revisões de metas de crescimento do PIB anual brasileiro, oscilação com máximas históricas do câmbio, recordes de pontos e fechamentos de negócios batidos na Bovespa.

Recentemente, em um evento do Banco BTG em São Paulo, o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, propagava em alto e bom som que o Brasil passa a rever a política de substituição às importações, o que, se observarmos ao longo da história da economia brasileira, é possível compreendermos que um ciclo se encerra exatamente em período de grandes inovações tecnológicas, propagação das facilidades conquistadas a partir dos resultados práticos da Indústria 4.0.

Não obstante, além das demandas por produtos mais tecnológicos, com maior capacidade de competitividade, de qualidade a preço, também nos deparamos com a necessidade de adequação aos novos sistemas de negociação internacional, novas ferramentas e opções de apresentação das marcas e empresas como um todo nas transações além-fronteiras.

Por exemplo, ao considerarmos o Programa AEO – Authorized Economic Operator (Operador Econômico Autorizado), do qual o Brasil é signatário desde 2015 e fazem parte 77 das nações mais significativas no comércio internacional, vemos um cenário que permite às empresas certificadas a otimização de tempo e, principalmente, a redução nos custos logísticos, pois os exportadores e importadores certificados no programa gozam de privilégios como a prioridade absoluta nas liberações alfandegárias nos portos do Brasil, reduzindo e até eliminando custos de armazenagens e permitindo, assim, a redução no preço final do produto vendido.

Acompanhando essas novas práticas globais de negócios em que a transparência e o compliance são fatores mais presentes e necessários, o governo brasileiro claramente sinaliza para novas definições sobre as entradas de bens estrangeiros no país, com o propósito de permitir que a indústria brasileira esteja em escala igual as observadas nos mercados asiático, europeu e americano.

A possível entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), criada logo após a 2ª Guerra Mundial para fomentação de negócios e reestruturação das nações mais prejudicadas nos conflitos, descortina cenários mais propensos à criação de oportunidades a partir de programas que demonstram, inclusive, segundo a fala do secretário Marcos Troyjo, a possibilidade de redução de alíquotas de alguns produtos importados, exatamente para o aquecimento do setor, fazendo com que a concorrência cresça e apresente novas oportunidades aos consumidores e consequentes práticas de novas tendências de produção local com preço mais competitivo. Isso porque a tributação tenderia a acompanhar os possíveis benefícios a serem concedidos aos importados.

Além desses fatores técnicos e de planejamento estratégico, o Brasil apresenta-se como um interlocutor direto e protagonista em novas frentes de desenvolvimento de negócios globais, como a confirmação do acordo Mercosul x União Europeia em meados de 2019, tema que demandará muitas oportunidades de novos negócios aos dois blocos. Porém, segundo o secretário Marcos Troyjo, vale a percepção de que não adianta fazer uma zona de incentivo, como a Zona Franca de Manaus, sem garantir o acesso a um grande mercado, os benefícios em troca dos incentivos são pequenos.

Assim, é compreensível que seja necessário criar mecanismos com novas formas e oportunidades de negócios internacionais, mas que também o empresariado brasileiro tenha onde expor seus produtos, ou seja, a possibilidade de, além de vender no Brasil, também possa fazer em mercados atrativos, como o europeu e outras regiões da América Central. Esse cenário é objeto de negociação de novos acordos com o Brasil, conforme afirmação do secretário no mesmo encontro do Banco BTG em São Paulo.

Essa conjuntura só é possível porque o Brasil figura no mercado internacional sob os olhares das grandes corporações, que percebem a possibilidade de obter segurança em um mercado em crescimento, porém sem a necessidade de estar refém a um sistema que exija contrapartida em retribuição a investimentos e concessões. A economia vive novos tempos em pilares sólidos sob o ponto de vista da transparência, confiança e, principalmente, do compliance, fato extremamente presente e validado nas companhias dirigidas com base na governança corporativa, em que resultados são exigidos, mas não podem ser obtidos a qualquer custo; eles são fundamentados em raízes germinadas em solo estruturado a partir da confiabilidade, segurança jurídica e perspectivas de crescimento econômico.

João Marcos Andrade é professor de Comércio Exterior e Global Trading no Centro Universitário Internacional Uninter.

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Onofre Ribeiro: - Líderes abertos

Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Artigos

Roberta Züge: – Covid e alimentos: o leite como importante fonte de suprimentos para o combate

Publicados

em

 

Covid e alimentos: o leite como importante fonte de suprimentos para o combate

Autora: Roberta Züge

Em tempos de pandemia, muitas dúvidas surgem em relação à como fortalecer o sistema imunológico, aquele que ataca os microrganismos causadores de doenças, como o vírus da Covid-19. Um sistema de defesa robusto tem mais chances de combater tais agentes com muito sucesso.

Muitos estudos estão sendo realizados, em diversas partes do planeta. Um grupo de cientistas australianos, do Doherty Institute, anunciou que identificou como o sistema imunológico do corpo combate a Covid-19. Nesta publicação, eles puderam descrever o aumento da defesa imunológica e das células de anticorpos, e descobriram que essas células são muito semelhantes às ativadas em pacientes com influenza, que é a gripe comum.

Neste estudo, que foi conduzido testando a resposta imunológica em quatro momentos diferentes da infecção por Covid-19, podem-se identificar tipos diferentes de células imunológicas. É como se o pelotão de combate fosse composto de diferentes armamentos, cada fase utilizando uma arma diferente.

Como o corpo precisa se armar, ele depende dos insumos para produzir o arsenal. Basicamente, o corpo humano transforma o que é ingerido em armas. Se a matéria prima não for de qualidade, ou se faltar algum insumo, estas respostas também não serão adequadas. Afinal, o pelotão pode não estar armado adequadamente, caso falte os suprimentos.

A maior parte destes insumos são os alimentos que ingerimos. No entanto, o sistema imunológico não é invencível: não há nenhum alimento mágico, suplemento ou outra vitamina que pode torná-lo inatacável. É um sistema muito intricado que envolve distintas células e moléculas cujas reações precisam de regulação.

Claro, o alimento certamente não é a única resposta, um estilo de vida saudável contribui para o combate às infecções, fortalecendo o sistema imunológico. Quanto aos alimentos a serem favorecidos, é preciso lembrar, acima de tudo, que é essencial evitar deficiências. Uma dieta equilibrada fornece a grande maioria de todos os nutrientes que o corpo precisa.

Certos nutrientes foram identificados para promover a resposta imune ‌pelo aumento da proliferação de linfócitos (as células de combate), é o caso da arginina (aminoácido presente em certas proteínas, como a whey) e do zinco, que é um mineral com melhor absorção quando oriundo de produtos de origem animal.

Neste contexto atual, para combater o coronavírus, é essencial otimizar as funções do sistema imunológico e, assim, combater melhor as infecções bacterianas e virais. Para fortalecer as defesas imunológicas e melhorar a saúde, os alimentos devem ser diversificados‌. Será especialmente direcionado a certos alimentos para fornecer os nutrientes que mais especificamente desempenham um papel no sistema imunológico.

Para fortalecer o sistema imunológico, a dieta deve ser diversificada. É necessário favorecer alimentos que contenham: antioxidantes, ômega 3, aminoácidos, fibras, magnésio, probióticos de zinco e prebióticos.

Quais alimentos? Todos os legumes e frutas frescas, sementes oleaginosas; carnes magras e miudezas; peixes e crustáceos; cereais e legumes; leite e derivados; e óleos ricos em ômega 3 e 6.

Infelizmente, há divulgação tendenciosa indicando que leite e derivados não devem ser consumidos, o que é exatamente ao contrário. Ele fornece suprimentos para confeccionar as armas deste combate. O leite é um alimento muito rico e, acima de tudo, realmente muito barato frente aos nutrientes que pode oferecer. Neste momento de incertezas e de muitas fake news, é importante manter o organismo bem nutrido e, nada melhor, que um alimento completo, que tenha fácil absorção de seus nutrientes.

Roberta Züge; Diretora Administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Diretora de Inteligência Científica Milk.Wiki; Médica Veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP); Sócia da Ceres Qualidade

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Roberta Züge: - Covid e alimentos: o leite como importante fonte de suprimentos para o combate
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA