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Frankes Marcio: – Abençoada Chuva do Caju!

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                   Abençoada Chuva do Caju!

Autor: Frankes Marcio

A chuva do Caju é um termo da cuiabania para se referir a primeira chuva no mês de setembro após uma seca prolongada. Cientificamente é um fenômeno que acontece por causa da frente fria que vem do Sul do país, que se encontra com as altas temperaturas e pode causar as chuvas.

Tradicionalmente é a chuva do caju que dá o pingo de esperança para amenizar tanto calor nessa época do ano na capital Mato-grossense.

Ano difícil, não só pelas queimadas, mas porque Cuiabá tem registrado as maiores temperaturas dos últimos tempos. Só em agosto, foram quatro dias seguidos com o termômetro chegando aos 40 graus e a sensação térmica de um calor maior ainda. As altas temperaturas aliada a escassez de chuvas proporciona uma baixa umidade do ar, isso faz com que o cuiabano espere muito essa chuva.

A esperança também está na beleza do mês de setembro, que traz consigo a primavera e a chuva do caju, e vem enfeitando as árvores da cidade, deixando-as floridas, o colorido da estação toma conta, deixando ainda mais belo o que já estava, já que o Ipê, uma exceção, em seu afã de colorir e embelezar as ruas e o cerrado quando se destaca em meio a um campo, colorindo aquilo que deveria ser feito de solidão, o Ipê não espera a chuva e em meio à seca que predomina nessa época do ano, dá um espetáculo de vida e cores na cidade e nos campos do cerrado.

Mas ela é ainda mais cobiçada, e a mais esperada por todos. Só temos a agradecer, ó abençoada, que chegou timidamente com seus dedos umedecidos, frios, trazendo alento ao céu cinzento de nossa capital.

Torçamos para que venha mais encorpada, farta, mas em paz, molhando os nossos telhados, lavando as nossas calçadas, adoçando os nossos cajueiros e enchendo o nosso coração de frescor e amor por esse torrão no coração do Brasil.

Seja bem-vinda a Cuiabá, abençoada chuva do caju.

FRANKES MARCIO BATISTA SIQUEIRA. Doutor em Cultura contemporânea e professor.

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Francisco Manzi: – Não há espaço para protecionismo!

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                  Não há espaço para protecionismo!

Autor: Francisco Manzi

Mato Grosso tem anualmente batido recordes de produção nos seus produtos agropecuários, responsáveis por mais de 50 % do PIB estadual. Na pecuária temos anualmente reduzido áreas de pastagem, mas ao mesmo tempo em que acontece aumento do rebanho e da nossa taxa de desfrute com cada vez menor idade de abate.

Leilões de reprodutores exportando os produtos do nosso criterioso melhoramento genético. O nosso Nelore tem se destacado nos pastos, nas mesas e nas bases dos cruzamentos industriais. Para vencer esse desafio, não só os produtores de Mato Grosso, estado que possui uma das piores logísticas do pais, distante 2000 km do porto mais próximo e com mais de 25 mil km de estradas necessitando de asfaltamento, mas agenda comum na Aliança Internacional da Carne onde os 7 países que representam mais de 60% da exportações são unânimes em dizer que para que a carne chegue à mesa de todos os seres humanos é fundamental que se eliminem barreiras tarifárias e não tarifárias que não sejam amparadas pela ciência.

Na contramão da história, todos os anos a indústria frigorífica estadual cada vez que a arroba é valorizada e na atual conjuntura esse aumento é apenas nominal porque os custos subiram numa proporção ainda maior, tenta através de comunicados e artigos alegando falta de animais para abastecer a indústria, pressionar para que o governo promova aumento de alíquota de impostos para a saída do boi em pé e amealhar uma reserva de um mercado já restrito na mão de poucos. Não obstante, se utiliza como argumento, dos números totais de animais que deixaram o estado como se todos fossem ser abatidos no ano e ainda assim sem subtrair da conta os animais que entram.

Se levarmos em conta apenas os que saíram com a finalidade de abate ou seja menos de 9 mil cabeças por mês, abate de uma semana de uma indústria média, os compradores que vêm buscar aqui, esses sim, sofrem uma concorrência ainda mais acirrada. Tem que realizar o pagamento à vista e antecipado, estratégia de negociação pouco praticada pela indústria local, no peso calculado na balança da fazenda, prática sonhada de todo produtor e ainda amargam, mais 7% de ICMS e arcam com um frete muito mais caro, pois além de mais distante ainda recolhem o ICMS sobre o próprio frete.

No nosso vizinho estado do Pará, banhado pelo mar, a exportação de boi em pé é uma realidade e chegou a fazê-lo para vários países atingindo números de mais de 700 mil animais em um único ano. Será que é por isso que o preço da arroba é mais valorizado que em Mato Grosso? Temos como produzir mais e atender todos os mercados: interno, externo de carne, boi em pé e exportação de bezerros.

Em que pese a produtividade de Mato Grosso seja 25% maior que a média nacional, que é de 4 arrobas por hectare, existe não só tecnologia, mas muitas fazendas na prática estão reduzindo o dobro, o triplo e há casos de até 80 arrobas por hectare-ano. Para elevar essa média, os produtores precisam principalmente de incentivos e margem nos seus produtos e não é com mais taxação ou reserva de mercado que isso será alcançado.

Num mundo onde o livre comércio é incessantemente buscado, com acordos bilaterais e multilaterais para ganho de competitividade e garantia de que um número cada vez maior de consumidores tenha acesso, não há mais espaço para protecionismo.

FRANCISCO MANZI é médico veterinário e diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

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