artigo

Empatia entre médico e paciente aumenta com o uso de feedback em forma de vídeo

Publicados

em

 

Autor: Vitor Simão –

O uso de tecnologias digitais na medicina veio para ficar. Segundo levantamento da empresa norte-americana de venture funds Mercom, somente no primeiro semestre de 2021 foram investidos 15 bilhões de dólares em empresas de telemedicina. Isso representa um crescimento de 138% em relação ao primeiro semestre de 2020. Investimentos como estes alimentam a imensa diversidade de propostas das empresas de digital health.

De acordo com estudo da KPMG divulgado no início deste ano, o Brasil já conta com 542 startups de saúde (healthtechs). O foco dessas empresas é em redesenhar processos para criar experiências disruptivas de diagnóstico e atendimento nas mais variadas áreas. Pesquisa da Fiocruz divulgada em março de 2021 a partir de entrevistas com 25 mil profissionais de saúde brasileiros mostra um universo muito diversificado atuando na luta contra a Covid: 58% desse grupo é formado por enfermeiros, seguidos de 22,6% de médicos, fisioterapeutas (5,7%), odontólogos (5,4%), farmacêuticos (1,6%) e por outras posições de trabalho (5,7%).

O estudo da KPMG mostra que a presença de tecnologias digitais já faz parte da vida de grande parte desses diferentes perfis profissionais: as áreas exploradas pelas empresas brasileiras de healthtech vão de soluções de gestão de hospitais e clínicas (25,1% das startups pesquisadas) ao desenvolvimento de Wearables e dispositivos IoT (3,9%).

Uma das novas fronteiras da telemedicina diz respeito ao uso de tecnologias de vídeo para prover feedback de pacientes aos médicos, enfermeiros e técnicos. Trata-se de uma área sensível, que exige uma visão estratégica para atingir seus objetivos: a melhoria constante dos serviços de saúde oferecidos ao povo brasileiro.

Rejeição e aceitação do feedback do paciente

Um estudo realizado pela instituição de pesquisa global Springer Nature (a empresa responsável pela publicação da revista Nature) no primeiro semestre de 2021 com 103 estudantes de medicina do Reino Unido ressalta os desafios dessa tarefa. Na primeira fase do estudo foi oferecido feedback por escrito aos estudantes de medicina. A grande maioria acreditou em parte no feedback – numa escala de 1 a 5, sendo 1 a rejeição ao feedback e 5 a aceitação do feedback, 3 foi a principal marca atingida. Na segunda fase do estudo foi oferecido um feedback em que os pacientes se manifestavam por meio de um vídeo. Nesse momento, ficou claro a maior aderência dos estudantes de medicina a essas avaliações: numa escala de 1 a 5, 4 foi a marca obtida.

No Brasil ainda não existem estudos sobre o impacto do feedback em vídeo sobre os profissionais de saúde. Uma pesquisa realizada em 2006 com 3000 alunos de medicina e residentes de instituições médicas de São Paulo e Campinas – estudo publicado na Revista Brasileira de Educação Médica -, porém, mostrou a criticidade do tema. 95% do universo entrevistado considerou que dar e receber feedback é uma habilidade essencial para o profissional de saúde.

A razão para isso é clara: os médicos ingressaram nessa profissão para ajudar pessoas, conectar-se com pacientes e prestar apoio durante alguns dos momentos mais desafiadores da vida dos pacientes. Esses profissionais querem saber que estão fazendo diferença, e um feedback significativo pode proporcionar esse senso de conquista.

Os dados atualmente compartilhados, no entanto, muitas vezes se baseiam em práticas de coleta legadas. Trata-se de um formato obsoleto, rígido, que dificilmente reflete a realidade do sentimento do paciente. Com isso, pode-se perder a chance de estabelecer uma nova conexão entre o paciente e o médico.

Como, então, transformar uma resposta altamente subjetiva em uma métrica de desempenho objetiva, que promova a melhoria contínua dos serviços de saúde?

Vídeo aproxima médico e paciente

O vídeo se tornou uma plataforma universal para captura de comunicação verbal e não verbal, e há uma boa razão para isso. Comportamento não verbal, como movimentos e postura do corpo, expressões faciais, contato visual, gestos das mãos e tom de voz, contribuem para a maneira como nos comunicamos e entendemos uns com os outros. Embora seja frequentemente mais sutil, a comunicação não verbal pode ser mais eficaz do que a comunicação verbal, por ser melhor do que palavras para transmitir significados. De fato, 93% da comunicação atual é não verbal, sendo 55% expressados por meio de linguagem corporal e 38% por meio de tom de voz, segundo uma pesquisa do Dr. Albert Mehrabian, pioneiro nos EUA em pesquisa de linguagem corporal.

Vale a pena estudar métodos alternativos de captura de feedback para aprimorar o engajamento entre médicos e pacientes. Quando combinado com outras formas de feedback, um vídeo pode criar uma dimensão mais aprofundada da percepção do paciente. Essa estratégia pode incentivar um maior engajamento entre o paciente e o médico, gerando conexões entre eles.

Desde março de 2020, a jornada de médicos, enfermeiros e técnicos brasileiros mudou para sempre. Interações cada vez mais digitais tornam essencial humanizar as práticas de feedback nas instituições de saúde. O uso de inovações como o feedback em formato de vídeo aumenta a empatia entre o médico e o paciente, acelerando a transformação de atitudes e contribuindo, em 2021, para elevar a maturidade dos serviços de saúde do Brasil.

  • Vitor Simão é Diretor Regional da Medallia Brasil.
COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Milena Fiuza: - Progressão ou retenção do ano letivo: cada caso é um caso
Propaganda

Artigos

O Brasil dos Brasileiros não é o mesmo Brasil dos governantes

Publicados

em

 

Autor: José Antonio Puppio – 

Um dia desses, saí de casa e fui até o centro de São Paulo numa sapataria que faz sapatos especiais para o meu pé, só que eu tive que ir de carona, não posso dirigir porque estou usando uma sandália que não permite que eu dirija. Durante o trajeto fiquei em silêncio, no meu canto, observando a cidade que passava pela janela do carro. Vi a Juscelino Kubitschek com as grandezas de seus prédios, passei pela Brigadeiro Luiz Antônio e reparei como a cidade pulsa no seu ir e vim dos pedestres.

Quanto mais o carro chegava perto do centro da cidade, mais contrastes eu ia observando, até que o automóvel parou no farol vermelho e da janela observei um homem, ele tinha mais ou menos 35 anos, era alto e de cor negra. Enquanto esperava o sinal abrir vi o homem se aproximar de três latões grandes de lixo, ele tirou as tampas dos latões como se procurasse por alguma coisa, até que tirou de dentro de um algo parecido com um bloco, enfiou o dedo, tirou um pedaço de algo que não consigo descrever e comeu.

Aquela cena me gerou uma certa revolta, a situação vivida por aquele homem representa o último estágio da pobreza e isso me causou indignação porque me lembrou que tudo que está no planejamento dos comandantes do nosso país consiste no enriquecimento deles. A intenção dos nossos representantes é que a pobreza seja generalizada para assim ser perpetuada.

Tenho a impressão de que eles não medem o tamanho da pobreza da população, mas sim o tamanho do bolso deles, ou seja, cada vez mais eles pedem para seus alfaiates fazerem calças com bolso mais fundo para que possam receber mais propinas.

É fácil fazer as contas. Um exemplo disso é um deputado que trabalha por dois mandatos, cerca de oito anos, e aposenta com salário integral. Hoje, um cidadão comum não consegue se aposentar com salário integral. Eu, por exemplo, trabalhei por cerca de 35 anos e ao me aposentar recebia, inicialmente, cerca de R$ 4.500.

Porém, um colega de escola que prestou concurso e foi ser promotor público, ganha cerca de R$ 128 mil reais de aposentadoria. E ele só precisou trabalhar cerca de 20 anos. Isso é inaceitável. Existem professores, engenheiros, médicos que trabalham a vida toda e ao aposentar são obrigados a continuar trabalhando porque a aposentadoria de um profissional desse é em torno de R$: 5.000 e se ele parar de trabalhar e viver de aposentadoria, talvez não consiga nem comer um sanduiche.

Mas eu pergunto: por que essa situação não muda? A resposta é simples: porque eles não querem. Existem diversas propostas de reforma na câmara e no senado, elas estão lá há 20 anos e não são votadas. Elas retorcem e distorcem as reformas, mas eles não votam, porque se eles votarem elas podem piorar. Mas ela não vai piorar a vida do cidadão, ela vai piorar o bolso deles.

Eu já dei exemplo aqui que é necessário que haja vontade política, a vontade do povo por mais importante que seja, ela não faz diferença. É urgente alguém que faça um esforço e faça algo para o bem do Brasil e da pátria. Porque ultimamente eles só pensam no bolso deles.

E enquanto os responsáveis pelo Brasil continuarem a pensar no bolso do deputado, do senador ou do Ministro do Supremo Tribunal Federal, cenas como a descrita acima, onde um homem precisa revirar o lixo em uma das principais avenidas de São Paulo, serão comuns.

Por fim, não posso deixar de mencionar que começamos a fazer algo quando gritamos para o mundo que se roubar vai preso, porém, quando um ex-presidente condenado por corrupção é solto percebemos que não temos moral, não temos judiciário, pois todos que estão no poder são ladrões. Todos são repetitivos, sem moral.

Ao ver essa cena me dei conta que tenho 70 anos, e que já vi de tudo e que assistir ao Lula ser condenado e depois liberado, dá uma sensação de impotência e que nossos governantes nunca pensam no povo sofrido e no empresário extorquido. Aqui nós temos empresários que são extorquidos, temos um povo sofrido e sem nada. Precisamos tentar mudar isso nas próximas eleições, analisando com mais critérios em quem votamos.

José Antonio Puppio é empresário e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Milena Fiuza: - Progressão ou retenção do ano letivo: cada caso é um caso
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA