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Emanuel Pinheiro : Baixada cuiabana e seus desafios

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                                   Baixada cuiabana e seus desafios

Por Emanuel Pinheiro 

Foi criada recentemente a Frente Parlamentar para o Desenvolvimento Econômico do Vale do Rio Cuiabá na Assembleia Legislativa. Com muito orgulho sou filho da terra e faço parte dessa frente de trabalho, cujo objetivo é lutar pelo desenvolvimento e crescimento de uma das mais importantes regiões de Mato Grosso, a região do Vale do Rio Cuiabá, também conhecida como baixada cuiabana. 

emanuel pinheiro 2 artigoA baixada já ofereceu inúmeras riquezas para o estado e hoje os municípios que compõem essa região necessitam de investimentos e até mesmo a redescoberta do seu potencial econômico, com intuito de gerar emprego e renda, ou seja, se fortalecer economicamente. 

A discussão, pesquisa e o levantamento de dados farão parte de um amplo debate que deverá ser feito nos próximos meses. A Frente terá como meta o crescimento da baixada cuiabana. Temos que fazer com que municípios tão importantes para história e cultura mato-grossense possam participar do processo de transformação pelo qual estamos passando.  

É preciso redescobrir novas vocações econômicas a fim de fortalecer a economia local. Costumo dizer que temos todas as condições para isso que é gente trabalhadora, solo fértil, entre outras qualidades. O que falta agora é o governo olhar para essa região e devolver a ela tudo que ela já fez para o progresso e desenvolvimento de MT.  

A nossa principal meta será aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) da região. Segundo dados da Agência de Desenvolvimento Metropolitano da Região do Vale do Rio Cuiabá (AGEM/VRC), a região teve uma queda na economia, que era responsável por 34% do PIB estadual e, dez anos depois, esse percentual reduziu para 24,8%. Esse índice pode crescer com a instalação de novas políticas para a construção de micro e pequenas novas empresas. 

A região metropolitana, que hoje carece de tudo pela falta de oportunidades, chama atenção para o salto evolutivo nos quesitos educação, longevidade e renda, indicadores que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). 

Essa é a região mais velha do Centro-Oeste e Mato Grosso é o sexto Estado com o maior volume de exportação do país. Por isso, temos que olhar com mais carinho para essa população que vive nesta região, através da agricultura familiar. Estamos imbuídos e com ideias que vão ao encontro com medidas de melhorias e valorização da região. A Frente precisará trabalhar bastante para fomentar novas iniciativas com a agricultura familiar. 

Com o tempo nossos municípios foram discriminados, ao mesmo tempo em que boa parte renunciaram em prol do desenvolvimento do Estado. Existe essa dívida com a região. Mato Grosso deve esse ato de gratidão com a baixada cuiabana. O nosso desafio é recuperar o vigor do setor agroindustrial e a autoestima da região.  

Emanuel Pinheiro é deputado estadual pelo Partido da República

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Pacientes ou clientes?

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Autor: Manoel Vicente de Barros –

Com a crescente demanda pela humanização dos sistemas de saúde, algumas práticas e termos rotineiros passam a ser analisados sobre uma nova ótica, mais questionadora. Um ponto talvez nunca questionado se tornou fonte de debate: quem usa um serviço de saúde é paciente ou cliente?

Essas duas denominações influenciam como a pessoa será abordada e cuidada, com vantagens e desvantagens.

Nós, médicos, historicamente utilizamos o termo paciente. Essa escolha pode carregar a imagem equivocada de que quem procura uma unidade de saúde deve estar conformado em esperar, aguardar, sendo paciente com qualquer atendimento que venha a receber.

De maneira alguma o vocábulo é o causador dos péssimos serviços públicos e particulares que recebemos, eles são ruins por falta de competência ou recursos, mas é uma triste coincidência cobrar de pacientes que tenham paciência.

A verdade é que bons profissionais enxergam o paciente como alguém momentaneamente fragilizado, que precisa de amparo, em uma visão individualizada e respeitosa.

Em contraposição à paciente, surge a imagem do cliente.

O cliente tem um papel muito mais ativo na relação de cuidado, ele é melhor atendido, afinal, ninguém quer deixar um cliente esperando. Todo estabelecimento quer atender as necessidades dos clientes, pois esse tem escolha de buscar outro prestador de serviço, melhor e mais eficiente.

Essa visão tira da zona de conforto aqueles que não se importam com a qualidade do atendimento, e se você já utilizou serviços de saúde, sabe do que estou falando. Clientes fazem reclamações, exigem, elogiam e participam da construção do serviço que é feito para eles.

O ponto de conflito acontece porque com o paciente as orientações médicas podem, eventualmente, contrariar suas expectativas, mas são para o seu bem. O cliente não pode ser contrariado, ele é um consumidor, o pagador, e no comércio, o cliente tem sempre razão.

Quando pacientes exigem que seja feito um exame ou que seja prescrito um antibiótico, eles estão agindo como clientes exigentes e podem tomar péssimas decisões, pois simplesmente não detém conhecimento em saúde. Nesse momento, a autoridade do carimbo precisa se impor e ser respeitada, goste ou não.

Sua avó sabia que para perceber febre o melhor era colocar a mão sobre a testa e todo paciente é orientado a medir sua temperatura nas axilas. É impossível detectar febre a partir da temperatura das mãos, então lojas, shoppings e locais de trabalho que fazem isso não priorizam sua saúde, eles querem te agradar como a um cliente.

Ao procurar orientação e tratamento existe a chance de ser contrariado, alguns remédios são amargos, mais necessários. Trazer a lógica do comércio e exigir medicamentos e exames como quem vai à padaria certamente te fará mal.

Pacientes merecem respeito, serem ouvidos e bem tratados. Hospitais, clínicas e profissionais precisam atender melhor seus clientes, nós já percebemos isso.

Progressivamente os serviços de qualidade vão ganhando espaço. Seja exigente, mas tome cuidado, pois clientes impacientes correm o risco de receber o que querem ao invés daquilo que realmente precisam.

Manoel Vicente de Barros é Psiquiatra em Cuiabá e atua no tratamento de Depressão e Ansiedade, CRM 8273, RQE 4866.

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