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Eduardo Chiletto: – Pandemia, meio ambiente e sociedade

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          Pandemia, meio ambiente e sociedade

Autor: Eduardo Chiletto

Vivemos hoje um momento excêntrico em que a natureza está nos enviando uma mensagem via rede global, mostrando que a vida como a conhecemos está colapsando com a pandemia do coronavírus.

Cerca de 60% das doenças infecciosas humanas e 75% das doenças infecciosas emergentes são zoonóticas, ou seja, transmitidas através de animais e posso elucidar. Alguns exemplos que surgiram recentemente são o Ebola, a gripe aviária, o Zikavírus e, agora, o Covid-19, todos ligados à atividade humana no meio ambiente.

Enfrentar a pandemia de coronavírus e nos proteger das futuras ameaças globais requer o gerenciamento correto do saneamento básico nas cidades, de resíduos médicos e químicos perigosos, do comprometimento social com os despossuídos, da administração consistente e global da natureza e da biodiversidade e do comprometimento com a reconstrução da sociedade.

Conviver com a natureza é algo que tem sido valorizado pelo ser humano nos dias atuais em que as TIC – tecnologias de comunicação e informação paulatinamente nos afastam dos abraços, afagos e carinhos, do o olho no olho, mas e a nossa cidade? Por acaso sabemos o que os gestores municipais estão fazendo para gerar melhorias sem prejudicar a natureza? E como o meio ambiente urbano se relaciona com as pandemias?

Vivemos atualmente em um mundo conturbado e inquieto em que o convívio e o compartilhamento não estão sendo construídos, o que resulta em novas formas de violência, segregação e exclusão. O lugar, o meio ambiente urbano ou rural, assume importância cada vez maior, na medida em que se constitui na possibilidade de mudança, de ruptura deste “status quo” que vivemos.

Como os profissionais arquitetos e urbanistas que possuem competência e habilidade profissional por Lei para conceber espaços e que possuem o espaço como objeto de trabalho, posicionam-se nesse novo horizonte de humanidade que começa a se vislumbrar pós pandemia do Covid-19?

Para que possamos encontrar respostas para essa questão, é importante lembrarmos que todos nós, da espécie humana, somos seres datados e situados. Ao entender que o nosso corpo é espaço expressivo e expressão de todos os espaços, o filósofo fenomenólogo francês Merleau-Ponty nos ensinou que o homem mora no espaço e no tempo. Isto quer dizer que não estamos dentro do espaço e do tempo e sim que nós os habitamos.

Desta forma, as novas cidades precisam ser concebidas para gerar condições para que o ser humano possa construir relações saudáveis, desenvolvendo sua inteligência, competências e habilidades a partir das relações que estabelece com as pessoas e com o entorno, despertando o uso consciente e sustentável dos recursos disponíveis.

Com disse Le-Corbusier:

Imóvel ou circulante, ele (o ser humano) tem necessidade de uma superfície, bem como de uma altura, de locais apropriados a seus gestos. Móveis ou arranjos são como que prolongamento de seus membros ou de suas funções. Necessidades biológicas impostas por hábitos milenares, que serviram pouco a pouco, para constituir a própria natureza, requerem a presença de elementos e de condições precisas, sob ameaça de estiolamento: sol, espaço, vegetação. Para seus pulmões uma determinada quantidade de ar. Para seus ouvidos, um quantum suficiente de silêncio. Para seus olhos uma luz favorável…“.

É hora de acordar. De tomar consciência. De repensar nossa relação com o meio ambiente e a ocupação do ser humano com a construção de nossas cidades no território. Elas necessitam ser redesenhadas pelo ponto de vista da inclusão social, reduzindo as grandes aglomerações, que são fatores de transmissão de diversos tipos de doenças infectocontagiosas, criando espaços de convivência sadia e em harmonia com a natureza.

A humanidade depende de ação imediata para um futuro resiliente e sustentável. É hora de agir. O Dia Mundial do Meio Ambiente é a hora da Natureza.

Eduardo Chiletto, arquiteto e urbanista, presidente da AAU-MT, [email protected], https://www.instagram.com/academiaarqurb/

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Itallo Leite: – Adaptação: presente e futuro da advocacia

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          Adaptação: presente e futuro da advocacia

Autor: Itallo Leite

Há 193 anos comemora-se o Dia do Advogado, na data em alusão à lei de criação dos primeiros cursos de Direito no Brasil, implementados em 11 de agosto de 1827, por D. Pedro I, em Recife e São Paulo.

Nesses quase 200 anos, muita coisa mudou para quem exerce a advocacia como profissão, mas nunca presenciamos uma transformação tão acelerada quanto nos últimos meses.

O ano de 2020 será um marco na história da humanidade, pelo enfrentamento da “Pandemia” do novo Coronavírus, e institui uma nova era para todos os advogados e advogadas dentro do universo digital.

A tecnologia que altera as dimensões de tempo e espaço e constitui novas relações sociais é o grande vetor de transformação pelo qual estamos passando enquanto profissionais do Direito.

É interessante ver que o “novo normal”, termo que apesar de ter apenas poucos meses de uso já é considerado clichê, obedece aos mesmos preceitos da teoria da seleção natural de Darwin, publicada em 1859: quem sobrevive não é o mais forte, é quem se adapta mais rápido.

Saímos do século 19 para um século 21 cheio de desafios. Entramos na era da Advocacia 5.0, uma revolução que busca a solução de problemas sociais com alternativas inteligentes e digitais. É a união entre a tecnologia e o humano, permitindo que descentralizemos tudo e possamos atuar de qualquer lugar.

Inteligência artificial, sistemas de gestão de escritórios e processos, plataformas de resolução de conflitos online, ferramentas de automação, decisões judiciais virtuais, banco de dados como assessores. Tudo isso pode ser assustador num primeiro momento, mas está posto e precisamos tirar o máximo de proveito.

E é justamente nestes contextos que a atuação das instituições se torna essencial para respaldar que as evoluções ocorram, mas que também haja oportunidade para que todos possam integrar a transformação.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) está atenta às mudanças que vêm ocorrendo e, por meio de suas comissões, tem buscado facilitar a adaptação dos profissionais da advocacia para esta nova realidade.

A advocacia 5.0 tem que ocorrer o mais próximo possível de sua própria proposta: de forma integral, rápida e universal, não permitindo que advogados e advogadas fiquem de fora por falta de oportunidade. A OAB-MT está buscando meios de democratizar o acesso às novas ferramentas profissionais, de acompanhar as exigências que surgem e de suprimir distâncias tecnológicas ou físicas.

Advogados e advogadas de todos os municípios precisam ter as mesmas condições de trabalho que os profissionais dos grandes centros. Assim como os mais jovens precisam se unir aos mais experientes para trocar expertises, cada um com sua visão sobre a profissão e os instrumentos do Direito.

Temos novos conceitos sendo implantados como o Legal Design, uma interligação entre o design, o Direito e a tecnologia que busca resolver problemas, simplificar os processos e facilitar a vida dos nossos clientes. É focado na empatia para gerar resultados e entregar valor para as pessoas e as empresas que atendemos.

Adaptação é o termo que define o presente e o futuro da advocacia. Temos soluções e ferramentas à disposição que nos permitem trabalhar de qualquer lugar. Precisamos construir ou adaptar a carreira a esse novo momento do mundo, que muda em alta velocidade.

Voltando mais uma vez ao século 19, uma famosa frase atribuída a Henry Ford, nascido em 1863 e pai da indústria automobilística, dizia: “se eu tivesse perguntado às pessoas o que elas queriam, teriam dito cavalos mais rápidos”.

Ford criou a linha de produção, reduziu o tempo e os custos para produzir um carro e transformou o mundo. É essa ousadia que deve nos inspirar.

Se perguntássemos a muitos profissionais do Direito, hoje, o que eles querem, muitos diriam uma Justiça mais célere. Nós, advogados e advogadas, mediadores dos processos legais, podemos e devemos transformar os desafios em oportunidades.

Que essa data comemorativa seja um novo marco para a nossa profissão, a partir da atitude de cada um que acredita que pode se adaptar, fazer melhor e colaborar para fortalecer a advocacia de Mato Grosso e tornar a Justiça mais eficiente e justa para todo o Brasil.

Parabéns, advogados e advogadas!

ITALLO LEITE – Presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de Mato Grosso (CAA/MT)

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