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ECOLOGIA INTEGRAL E A RESTAURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS

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Autor: JUACY DA SILVA –

Na Encíclica “Laudato Si” (LS19) o Papa Francisco, em 2015, por ocasião de sua publicação, fez uma reflexão dizendo “Depois de um tempo de confiança irracional no progresso e nas capacidades humanas, uma parte da sociedade está entrando em uma etapa de maior conscientização. Nota-se uma crescente sensibilidade relativamente ao meio ambiente e ao cuidado da natureza, e cresce a sincera e sentida preocupação com o nosso planeta”

E diz ainda o Santo Padre (LS13) “O urgente desafio de proteger a nossa Casa Comum ( planeta terra) inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar“… e exorta “A terra, nossa casa comum, parece transformar-se num imenso depósito de lixo“.

Gostaria ainda de destacar o que o Papa Francisco diz na Encíclica Verde, em relação ao pensamento esposado por algumas pessoas que a crise Ambiental e ecológica pouco ou nada tenha a ver com a crise social, política e econômica, que o mesmo afirma de forma categórica (LS 139) “É fundamental buscar soluções integrais que considerem as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única crise socioambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza“.

É neste contexto, de uma grande crise global que está presente em todos os países, em alguns, como no Brasil, com maior gravidade, que acabamos de “comemorar” mais um DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE e estamos iniciando a DÉCADA DA RESTAURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS (DEGRADADOS), conforme aprovado recentemente pela Assembleia Geral da ONU, com o objetivo de envidar esforços em todos os níveis: Global/Mundial; Nacional, Regional, Estadual, Local e individual, para supercar esses desafios.

Todos os ecossistemas/biomas mundiais tem sofrido degradação de forma acelerada ao longo das últimas sete década, ou seja, desde meados (anos cinquenta) do Século passado, fruto de um crescimento econômico que não considerou e nem tem considerado os limites dos recursos naturais do planeta e nem os aspectos ambientais.

Os sistemas produtivos, em todos os setores, indústria, comércio, turismo, prestação de serviços, transportes, geração de energia, apelo a um consumismo sem paralelo na história mundial, estimulando a cultura do descarte , do desperdício e da obsolescência vertiginosa, tem contribuído para a geração bilhões de toneladas de resíduos sólidos, incluindo lixo, a aceleração da poluição do ar, dos solos, dos cursos d’água, desde os pequenos córregos, aos rios, lagos/lagoas, baias, áreas costeiras e oceanos, alterando radicalmente o regime de chuvas, as mudanças climáticas, o aquecimento global, enfim, a degradação Ambiental.

Cada vez mais e isto tem sido alertado pela comunidade científica internacional com muita clareza e ênfase, estamos observando a ocorrência de catástrofes naturais que tem suas origens nas ações humanas que provocam a degradação do planeta. Secas prolongadas, chuvas torrenciais, furacões e outras mais tem sido muito mais frequentes nas últimas décadas, tudo, fruto da degradação Ambiental.

Diversos países tem firmado praticamente todos os acordos internacionais relacionados com o meio ambiente, o clima, as florestas, os oceanos etc. Todavia, uma coisa é a adesão pública por parte dos países e setores empresariais, outra coisa bem diferente são as práticas que ainda estão presentes nos modos e sistemas de produção que continuam usando amplamente como fontes de energia os combustíveis fósseis, o desmatamento legal e ilegal e as queimadas e um sistema de transporte altamente poluidor, além de grandes aglomerados urbanos sem qualquer infra-estrurura de saneamento, contribuindo para aumento assustador da poluição.

Entre o reconhecimento de que precisamos, o mundo precisa, mudar radicalmente este modelo destruidor da natureza e, de forma racional, passar a utilizar fontes alternativas de energia, criar e utilizar tecnologias que contribuam para sequestrar de forma mais rápida bilhões/trilhões de toneladas de gases de efeito estufa que já estão acumulados na atmosfera e reduzir, drasticamente a emissão diária de bilhões de novas toneladas desses mesmos gases, que se não conseguirmos barrar o aquecimento global em 1,5% do que era há diversas décadas, com certeza a degradação de todos os ecossistemas será maior e pior nas próximas décadas, inviabilizando a produção de alimentos , tornando o agronegócio e a agricultura familiar inviável, elevando os custos de produção e gerando mais fome e miséria.

Por exemplo, apesar do Governo brasileiro fazer discursos enfatizando práticas sustentáveis e respeito ao meio ambiente, incluindo combater o desmatamento ilegal e as queimadas na Amazônia, no Cerrado (principalmente), o que os dados oficiais e não oficiais indicam que após um breve período (entre 2005 e 2015) de redução desta destruição da floresta Amazônia e degradação do cerrado, ano após anos os números tem indicado novamente aceleração do desmatamento e destruição da biodiversidade, seja pelo avanço das fronteiras agrícolas rumo `a Amazônia Legal e Cerrado, seja pelas atividades madeireiras e de mineração, inclusive garimpos ilegais em terras públicas, terras indígenas, reservas legais, parques nacionais e outras áreas protegidas ou que deveriam ser protegidas, ante a sanha dos criminosos ambientais, com apoio, através da omissão e conivência de entidades públicas que deveriam zelar pelo bem comum, que é o meio ambiente, e não o fazem.

Assim, a partir de hoje, seria importante que, de fato, todos os níveis de governo, em cada país e os diversos setores econômicos e sociais possam de fato, despertarem para este desafio que foi estabelecido pela ONU que á a restauração dos ecossistemas degradados até 2030.

Precisamos, com urgência, estimular o despertar da consciência quanto a importância da ECOLOGIA INTEGRAL, para revertermos esta caminhada irracional que nos levará a um desastre catastrófico, em termos de meio ambiente.

Os diversos níveis de governo precisam, com urgência, incluir esses novos paradigmas da ECOLOGIA INTEGRAL, da ECONOMIA VERDE, da SUSTENTABILIDADE e todas as suas premissas nos planos governamentais e, também importante, que o empresariado, as lideranças das organizações da sociedade civil, inclusive as Igrejas, enfim, todas as pessoas reconheçam que este desafio não é da ONU ou de uma determinada instituição internacional ou maluquice de ativistas ambientalistas ou das PASTORAIS DA ECOLOGIA INTEGRAL, mas sim, um desafio coletivo, nacional e mundial.

As Pastorais da Ecologia Integral, por exemplo, nas Arquidioceses, Dioceses, Paroquias e Comunidades, espalhadas por este Brasil afora, onde congregam mais de 65% da população brasileira, ou seja, mais de 150 milhões de pessoas, incluindo crianças, jovens, adultos e idosos, podem contribuir de forma decisiva para que a Igreja Católica assuma, de uma forma mais efetiva seu papel de bem cuidar da Casa Comum, conforme exorta e deseja o Papa Francisco.

Para tanto, precisamos estimular a conversão ecológica, reconhecer nossos pecados ecológicos, afinal, destruir a natureza, degradar o meio ambiente, destruir a biodiversidade, não zelar pelo bem-comum, são pecados cometidos pelo ser humano contra as obras do Criador.

Já existem inúmeras pastorais da ecologia integral atuando em nosso pais, mas precisamos avançar de forma mais decisiva nesta caminhada, principalmente na Amazônia Legal e no Centro Oeste, (regiões que estão sofrendo um grande impacto pela desmatamento e uso intensive e irracional da terra e dos recursos naturais) juntando nossos sonhos, nossos ideais, nossos compromissos como cristãos a tantas outras iniciativas que já existem em nossas comunidades, cidades, regiões e nos Estados.

Precisamos VER o que está acontecendo `a nossa volta, como o ecossistema que nos rodeia, presente em nossos lares, em nossas ruas, nosso bairro, nossas paróquias e nosso município estão sendo degradados, o que precisamos e devemos fazer para parar com tanta destruição.

Neste desafio de VER o que está acontecendo, precisamos avaliar como estão os sistemas de saneamento básico, de geração e uso de energia, será que estamos abrindo portas para o uso massivo de energias oriundas de fontes renováveis como a ENERGIA SOLAR, EÓLICA ou da biomassa? Como está a questão dos resíduos sólidos, como está a reciclagem em nossa volta; como estão nossas bacias hidrográficas, nossos córregos e rios, estão limpos ou morrendo paulatinamente?

Após esta análise da realidade, devemos refletir sobre as principais causas desta degradação, como podemos parar, reduzir o rítimo da destruição da natureza, dos ecossistemas, da biodiversidade? O que é preciso realizar para mudar esta situação?

Só após essas reflexões, este olhar crítico sobre a marcha da destruição do planeta, que começa com nossas ações no cotidiano, com um sistema produtivo que pouco se importa com tanta poluição e degradação que tem gerado, das omissões de nossos governantes, tanto nos poderes executivo quanto legislativos e nos sistemas de controle (ministérios públicos e poder judiciário), é que podemos definir políticas públicas que abram a possibilidade de uma participação transparente, responsável, democrática e cidadã por parte da população.

O voluntariado, em todos os setores, inclusive na questão ambiental, não pode ser substituto para a omissão, a negligência, a falta de planejamento e de ações do poder público, as parcerias entre o voluntariado, a iniciativa privada e os poderes públicos é importante, a começar por um amplo processo de EDUCAÇÃO AMBIENTAL, voltada para a ECOLOGIA INTEGRAL, mas tem que ocorrer dentro de parâmetros científicos, éticos e transparentes, jamais na obscuridade que facilitem a corrupção e a ação de oportunistas desonestos.

Finalmente, precisamos incluir a política ambiental, como diversas outras como educacional, de saúde, de desenvolvimento científico e tecnológico, etc, como políticas públicas de Estado, para que tenham uma visão e ações de longo prazo e não sejam interrompidas com as mudanças governamentais, pois diversos ou a quase totalidade desses desafios requerem ações continuadas, efetivas, eficazes e eficientes por uma ou mais décadas, e não devem ser paralisadas ao sabor dos governantes de plantão, como acontece com a política ambiental no Brasil na atualidade ou o que aconteceu com semelhante política nos EUA na gestão Trump.

Enfim, a DÉCADA DA RESTAURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS, definida, estimulada e articulada pela ONU está apenas começando e seu horizonte temporal é 2030, quando, também, é o prazo para a consecução dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e suas mais de 160 metas, assumidas por mais de 180 países e territórios se comprometeram a seguir/conquistar, inclusive o Brasil.

Este, é, tanto um compromisso político institucional do Brasil quanto um compromisso moral, ético que não podemos deixar de honrar, não com palavras e discursos; mas sim, através de ações efetivas e integradas ao nosso processo de desenvolvimento socioeconômico e Ambiental.

Diversos desses objetivos, principalmente no caso de nosso país, ainda estão muito longe de serem alcançados, apesar de terem sido estabelecidos em 2015, como acabar com a FOME, com a miséria, com a discriminação, com a degradação dos solos, das águas, a poluição do ar, as desigualdades de toda ordem, seja de gênero/sexo, de cor, regionais, de renda ou outra razão, o uso de energias de fontes limpas e renováveis em substituição aos combustíveis fósseis, cidades e comunidades sustentáveis, com arborização e melhor qualidade de vida, enfim, um conjunto de desafios que deveriam estar contidos em todos os planos de governo (Federal, estaduais e municipais) e que, entra ano sai ano, continuam sendo simplesmente ignorados. Esta, talvez ou com certeza, é a maior ou a razão principal pela qual o planeta terra está sendo destruído de forma acelerada.

No contexto de uma ampla participação da sociedade e também dos organismos públicos, Podemos contribuir para que políticas públicas, em nível municipal, estadual e federal sejam definidas, facilitando a formulação de programas e projetos, com ações integradas, onde a população possa participar como: campanhas educativas (educação Ambiental) visando a redução do desperdício de água, alimentos, energia elétrica e outros materiais; incrementar as ações de reciclagem, no âmbito da economia circular; limpeza de córregos e rios, recuperação de nascentes, plantio de árvores (arborização urbana), reduzir o uso de veículos que contribuem para o aumento da poluição; construção de uma ampla malha de ciclovias, estimulando as pessoas a usarem mais bicicletas ou andarem a pé, que não poluem e ajudam a melhorar a saúde; estimular a construção de calçadas ecológicas e verdes; estimular o plantio de hortas caseiras, comunitárias e escolares, estimular a produção e uso de energia solar ou eólica, dependendo da viabilidade técnica e financeira; fomentar a agricultura urbana e periurbana; fomentar programas visando a implantação de florestas urbanas, públicas ou privadas.

Quando se tratar de cidades ou comunidades que estejam inseridas ou integradas ao meio rural, diversas outras ações podem ser executadas como reduzir o uso de agrotóxicos e estimular a agricultura orgânica (agroecologia); programas de conservação dos solos, reduzindo a erosão e a degradação dos mesmos; fomentar a criação de corredores ecológicos que possibilitem a circulação de animais entre diversas propriedades; proteger as margens de rios e demais cursos d’água, inclusive a recuperação de nascentes, integrar atividades agrícolas, pecuária e silvicultura. Enfim, existem inúmeras iniciativas que tanto os organismos públicos quanto privados, empresas, igrejas, ONGs, Clubes de Serviços podem e devem estimular, incrementar como formas diretas de contribuirmos para que os objetivos da Década da Restauração dos Ecossistemas sejam alcançados e os danos ambientais causados pelas mudanças climáticas sejam mitigados ou reduzidos.

O desafio está posto, cabe a cada pessoa e entidade, pública ou privada (não governamental), analisar e refletir como pode participar desta cruzada em pról da ECOLOGIA INTEGRAL. Com certeza uma das formas seja uma luta em defesa da ECONOMIA DE FRANCISCO E CLARA, que significa a economia verde, economia solidária, da partilha para substituir os modelos da economia da morte por um novo modelo da economia da vida, com abundância para todos, como nos indica o Evangelho!

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Autor: João Carlos Marchesan –

Tudo indica que 2021 não irá cumprir a expectativa de ser o ano da tão esperada retomada do crescimento. Os primeiros dados disponíveis sobre o comportamento da economia não são bons e analistas independentes estão falando em queda do PIB, não somente neste primeiro trimestre, em relação ao último trimestre do ano passado, mas, possivelmente, também do segundo trimestre face ao primeiro, o que compromete, irremediavelmente, um melhor desempenho para este ano, como um todo.

Considerando que o carregamento estatístico, de 2020, já garantia, mesmo sem crescimento real, um resultado ao redor de 3,6% a.a., isto significa que se o PIB deste ano vier abaixo do piso das projeções do mercado, que era de 3,5%, o Brasil terá mais um ano frustrado em termos de crescimento econômico. O quadro é ainda mais preocupante porque o país estará completando o sétimo ano sem crescimento acumulado, o que significa, na prática, um empobrecimento progressivo dos brasileiros.

A continuidade da pandemia, a situação fiscal, o elevado desemprego, o endividamento das famílias e das empresas…, podem ser invocados para justificar este fraco desempenho, mas, no fundo, apenas confirmam que o país não tem nenhum plano para a retomada do crescimento. Não dá, pelo sétimo ano consecutivo, após termos avançado em leis e reformas importantes como a trabalhista, a previdenciária, o marco do saneamento e tantas outras, continuar culpando a falta de mais reformas por este resultado medíocre.

Ainda que algumas destas reformas, como a administrativa e, principalmente, a tributária sejam importantes, estes últimos anos demonstraram que, embora necessárias, elas não são suficientes para garantir o crescimento. Portanto, está mais do que na hora de abandonar crenças fundamentalistas e ideologias e, de forma pragmática, passar a elaborar uma estratégia de retomada do crescimento que utilize, além das forças do mercado, o enorme poder do Estado reconfirmado, a nível mundial, pela crise de saúde pública.

Esta estratégia passa por imunizar a grande maioria da população, no menor prazo de tempo possível. Se tivermos vacinas, podemos conseguir isto até o terceiro trimestre deste ano, evitando mais uma queda real do PIB o que evitaria piorar a situação dos mais vinte milhões de desempregados e desalentados e, pelo menos, outro tanto de brasileiros que vivem à margem da sociedade, bem como o preocupante aumento da pobreza absoluta, o fechamento de fábricas e o retrocesso na educação.

A par da vacinação, o governo deveria retomar os investimentos públicos em infraestrutura, para criar empregos, até que o crescimento da economia passe a cumprir este papel. A elevada dívida pública não deve ser um impedimento absoluto para bloquear os investimentos públicos, primeiro porque estamos falando de gastos anuais da ordem de 1,0 a 1,5% do PIB, face a uma dívida de quase 90% do PIB e, segundo e mais importante, porque como diz o FMI muito mais importante do que o valor do gasto público é sua qualidade.

A imunização da população e a retomada dos gastos públicos, ainda que nos termos modestos propostos, são os únicos motores disponíveis para podermos voltar a crescer no curto prazo, inclusive em termos de renda per capita, algo que não ocorre desde meados da década passada. Entretanto, manter o crescimento, a médio e longo prazo, a taxas iguais ou superiores ao crescimento mundial, condição necessária para reduzir nosso distanciamento em relação aos países desenvolvidos e em desenvolvimento, exige outras medidas.

Nossa estratégia de desenvolvimento precisa incluir a forte redução das ineficiências sistémicas para assegurar um ambiente macroeconômico favorável ao investimento produtivo, com câmbio competitivo, inflação baixa e sob controle, financiamentos de longo prazo, e juros reais de mercado inferiores à taxa de retorno da produção de bens e serviços. Um ambiente de negócios amigável é outra pré-condição necessária, o que exige um sistema tributário bem mais simples e menos distorcido, marcos regulatórios adequados, segurança jurídica e forte redução das obrigações acessórias.

Tal ambiente implica, ainda, na disponibilidade de energia a custos adequados, no estabelecimento de uma robusta rede de comunicações de alta velocidade que interligue o país e seja acessível à grande maioria da população brasileira, e em avanços substanciais e contínuos em nossa logística. Isto irá eliminar dos custos de produção de bens e serviços nacionais o peso do custo Brasil que, atualmente, reduz fortemente a competitividade brasileira e deixa em desvantagem nossos produtos, tanto nas exportações quanto no mercado interno.

Políticas públicas de desenvolvimento devem permitir que o setor produtivo retome os investimentos tanto em máquinas e equipamentos quanto em tecnologia, essenciais para garantir ganhos de produtividade. A reconstrução da competitividade empresarial, o fortalecimento das cadeias produtivas e a reversão do processo de desindustrialização deverão contar com políticas para suportar os esforços empresariais com os programas de digitalização, com o sensoriamento inteligente e a administração dos big data resultantes, via I.A. e plataformas de integração.

Estas políticas públicas devem prever, ainda, forte apoio à P&D, e inovação do setor privado, com recursos parcialmente a fundo perdido, com a colocação de encomendas tecnológicas do setor público junto às empresas e com o uso intensivo do poder de compra do Estado para direcionar o desenvolvimento para as tecnologias emergentes e de retorno longo ou duvidoso, bem como o aumento dos recursos públicos destinados à ciência e à pesquisa básica e aplicada, principalmente nas áreas de saúde, biotecnologia, energia renovável, novos matérias, baterias de alta eficiência, microeletrônica….

Finalmente, a educação de qualidade em todos os níveis e, principalmente, a formação de uma massa crítica de recursos humanos, bem qualificados, nas novas áreas do conhecimento é essencial para suportar este esforço nacional de desenvolvimento, capaz de garantir um mínimo de segurança industrial ao país o que, junto com a segurança alimentar, energética e militar garantem a nossa soberania permitindo que o crescimento sustentado, se dê na direção da melhoria da qualidade de vida da população brasileira e com a democratização das condições de acesso às oportunidades para todos.

  • João Carlos Marchesan é administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ
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