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Dê-me os gigantes

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Autor: Francisney Liberato*

Agora me dê essa região montanhosa que o Senhor me prometeu quando os meus companheiros e eu demos o relatório“. Josué 14:12

A nossa vida sempre passa por altos e baixos. São constantes as oscilações do mundo, ora estamos bem, já em outros momentos, estamos cheios de problemas. Infelizmente, isso ocorre com todos os seres humanos.

A nossa tendência é correr e fugir dos “gigantes de nossas vidas”. Esses gigantes representam os problemas que temos, tais como: financeiros, de relacionamento, a soberba, a falta de fé, a desestrutura emocional, a saúde debilitada, dentre outros. Não queremos enfrentar os gigantes!

Em uma análise racional, é até normal pensarmos dessa forma, visto que a própria palavra “gigante” já demonstra a nossa inferioridade e incapacidade de enfrentar.

Mas não podemos viver acuados, sem esperanças, sem perspectivas de um mundo melhor, sem coragem de lutar e vencer quaisquer que sejam os gigantes existentes.

Calebe nos ensina essa forma de pensar, que quebra o nosso paradigma. Ele já tinha visto de tudo. Foi escravo no Egito, espião, líder, enfrentou todas as dificuldades da época, mas venceu.

O otimista Calebe já estava com 85 anos de anos, ou seja, era um idoso. Entretanto, a sua mentalidade era de um jovem, como se estivesse em seu auge. Após a divisão das terras entre as tribos do povo de Israel, o diálogo entre Calebe e Josué é emocionante.

Com essa idade, Calebe poderia ter pedido uma região plana e tranquila para que a sua tribo pudesse ocupar, mas não, ele queria a região montanhosa, com base na promessa e na sua coragem.

Dê-me a montanha”.

Na região montanhosa moravam os descendentes dos anaquins, que eram os gigantes da época. Calebe gostava de aventura, ele queria a região da montanha e a mais difícil de ser conquistada.

Dê-me os gigantes”.

Como aquele senhor pretendia enfrentar os gigantes, será que teria capacidade física para tal atitude, ou era apenas um delírio do servo do Senhor? Calebe confiava em Deus e isso lhe dava força e vigor.

O que você acha de, a partir de hoje, ter coragem para caçar e encarar os gigantes da sua vida com uma mentalidade positiva no intuito de destruí-los? Abandone o medo. Não devemos mais ter uma mentalidade medrosa.

Que promessa maravilhosa Deus faz para nós! Não devemos focar nos gigantes, mas sim no Deus que pode destruir os gigantes e que luta por nós a todo instante.

Vale a pena encerrar essa reflexão inserindo na íntegra o diálogo entre Calebe e Josué, conforme descrito em Josué 14:6-15:

O povo da tribo de Judá foi falar com Josué em Gilgal. Calebe, filho de Jefoné, do povo quenezeu, disse a Josué: Você sabe o que o Senhor disse a Moisés, homem de Deus, em Cades-Barneia, a respeito de você e de mim. Eu tinha quarenta anos quando Moisés, servo do Senhor, me enviou de Cades-Barneia para espionar a terra. E eu dei um relatório que sabia que era verdadeiro. Os homens que foram comigo espalharam o medo no meio do povo, mas eu obedeci fielmente ao Senhor, meu Deus. Naquele dia Moisés me fez a seguinte promessa: ‘Calebe, você obedeceu fielmente ao Senhor, meu Deus. Por isso fique certo de que você e os seus filhos serão donos para sempre de toda a terra que pisarem’. E Calebe continuou: Agora veja! Faz quarenta e cinco anos que o Senhor Deus disse essas coisas a Moisés. Isso foi no tempo em que o povo de Israel atravessava o deserto; e o Senhor me tem conservado com vida até hoje. Olhe para mim! Estou com oitenta e cinco anos e me sinto tão forte hoje como no dia em que Moisés me mandou espionar a terra. Ainda tenho bastante força para combater na guerra e para fazer o que for preciso. Agora me dê essa região montanhosa que o Senhor me prometeu quando os meus companheiros e eu demos o relatório. Naquele tempo dissemos a você que os gigantes anaquins estavam lá, morando em grandes cidades cercadas de muralhas. Se o Senhor estiver comigo, eu os expulsarei, como ele prometeu. Então Josué abençoou a Calebe, filho de Jefoné, e lhe deu a cidade de Hebrom para ser sua propriedade. Até hoje Hebrom pertence aos descendentes de Calebe, filho de Jefoné, do povo quenezeu, porque ele obedeceu fielmente ao Senhor, o Deus de Israel. Antes disso Hebrom era chamada de Quiriate-Arba. Arba havia sido o maior dos anaquins. Então houve paz na terra”.

*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas. Escritor, Palestrante, Professor, Coach e Mentor. Mestre em Educação pela University of Florida. Doutor em Filosofia Universal Ph.I. Honoris Causa. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Vice-presidente da Associação Brasileira dos Profissionais da Contabilidade – ABRAPCON. Membro da Academia Mundial de Letras.

Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz”, “Singularidade”, “Autocontrole”, “Fenomenal”, “Reinvente sua vida” e “Como passar em concursos – Vol. 1 e 2”, “Como falar em público com excelência”, “Legado”, “Liderança” e “Ansiedade”.

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Para além do juramento de Hipócrates: a ética na prática médica

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Autor: Ermelino Franco Becker*

Passarei a minha vida e praticarei a minha arte pura e santamente. Em quantas casas entrar, fá-lo-ei só para a utilidade dos doentes, abstendo-me de todo o mal voluntário e de toda voluntária maleficência e de qualquer outra ação corruptora, tanto em relação a mulheres quanto a jovens.” (Juramento de Hipócrates).

O nauseante episódio do anestesista contra uma paciente vulnerável reuniu a totalidade da reprovação possível entre médicos, trabalhadores da saúde, operadores do direito e todo o resto da nação. Como pode um profissional de tão nobre carreira transgredir tão ostensivamente qualquer tipo de razoabilidade comportamental? Como é possível que tal pessoa tivesse a confiança dos colegas e da instituição para lá estar trabalhando?

Como professor e cirurgião, também me surpreende como uma pessoa com tal desvio de caráter conseguiu terminar o seu curso e receber um diploma de médico. E, mais ainda, completar um curso de residência, período em que os jovens estão expostos ao escrutínio estreito dos mestres, sendo exigidos nos limites da resistência pessoal em plantões noturnos, casos complexos, estudos extensos e, portanto, sendo testados seguidamente em seus limites emocionais e comportamentais.

É preciso lembrar que toda profissão da saúde tem essa natureza que franqueia aos médicos acesso à intimidade dos pacientes, incluídas aí a intimidade física, psicológica, familiar e até financeira. Tal exposição exige retidão de conduta absoluta por parte do médico e equipe, respeitando os princípios da bioética, quais sejam a beneficência, a não maleficência, a autonomia e a justiça. Frutos desses princípios se seguem temas práticos da formação dos alunos, como o sigilo, a omissão de socorro, o consentimento, o respeito à terminalidade e muitos outros. Ainda mais exigente é o respeito à sexualidade. Se o médico não se conduzir em discrição obstinada nesse assunto, fica inviabilizado o acesso dos pacientes aos tratamentos, pelo receio de, estando vulneráveis, serem vitimados por aqueles que seriam seus protetores.

Os mecanismos de controle de tais condutas abusivas não podem se resumir às delegacias e aos conselhos de medicina com seus processos formais e muitas vezes sujeitos a recursos que criam obstáculos. A comunidade profissional em cada ambiente de trabalho tem papel insubstituível e não pode se eximir de continuamente estar observando o profissional ao seu lado, no melhor sentido da proteção dos doentes. Tal responsabilidade precisa ser semeada em cada aluno de graduação durante o curso, esclarecendo-os sobre as razões históricas e formais do comportamento profissional. Acima de tudo, é necessário que eles compreendam seu papel social na proteção dos pacientes vulneráveis, incluindo crianças, idosos, inconscientes e até as pessoas de educação mais simples.

Desafios modernos para atingir tal formação passam pelos novos formatos das universidades, com grande número de alunos por turma, aulas a distância, e avaliações em provas objetivas, com poucas oportunidades de se acompanhar os alunos de maneira individualizada. A medicina é uma arte que se aprende de muitas fontes, mas todo aluno deveria ter um tutor ou equivalente, que lhe inspire e molde sua personalidade no sentido ético profissional, de modo a preservar o respeito que a profissão merece, sem banalizações e sem tolerância para as condutas abusivas.

*Ermelino Franco Becker é médico cirurgião oncologista, médico legista no IML de Curitiba e professor de Bioética e Ética Profissional do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP).

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