Artigos

Danieli Artuzi Pes Backes: – A UFMT nas mãos de poucos

Publicados

em

 

                A UFMT nas mãos de poucos

Autora: Danieli Artuzi Pes Backes

Mais uma vez servidores e estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) puderam observar as velhas manobras de um pequeno grupo que, ao mesmo tempo em que manipula, conduz há muitos anos, os destinos da nossa universidade.

Dessa vez, o palco foi a reunião do dia 13 de fevereiro de 2020, onde a Reitora Myrian Serra, como presidente do Colégio Eleitoral Especial (CEE) da UFMT, convocou os conselheiros universitários para que, democraticamente, pudessem escolher uma comissão que comandaria a escolha da nova Reitora ou Reitor da UFMT. A presidente do CEE, por meio do ofício nº 01/2020 e, nos termos da Medida Provisória n.º 914/2019, buscou dar inícios aos trabalhos. Contudo, nada disso aconteceu.

A sessão do CEE foi instalada e pessoas estranhas aos conselhos universitários tomaram o plenário, a pauta inicial foi esquecida e as manipulações tiveram início. Permitiu-se que pessoas alheias aos conselhos fossem ouvidas e disputas políticas fossem travadas. Após horas de discussões vazias e ao invés de serem definidos os nomes da comissão eleitoral, votou-se pela suspensão total e completa do processo eleitoral da UFMT.

A votação não seguiu os trâmites esperados, a votação nominal dos conselheiros deu lugar a braços levantados, braços de qualquer um dos presentes, conselheiros ou não, e com o placar de 38×24 os “presentes decidiram” por deixar a UFMT à deriva: sem dia para retomar o procedimento de escolha da nova Reitora ou Reitor da UFMT. Suspendeu-se, sem dia de retorno, o processo de escolha dos novos líderes da UFMT.

O que percebemos é que ao final da tarde daquele dia 13 de fevereiro de 2020, conselheiros vencidos pelo cansaço e pelas manobras obscuras e antidemocráticas, foram levados ao erro e golpearam de morte a democracia universitária. Alerte-se que a atual gestão da UFMT será encerrada em 14 de outubro de 2020 e que, 60 dias antes desta data, conforme determina a lei, o novo ou a nova representante maior da universidade deve ser apresentado (a). Nesse caso, o que pretendem que aconteça? Um processo eleitoral na UFMT tem duração média de 180 dias. O tempo de iniciar os trabalhos eleitorais é agora. Se isso não for feito, como será conduzido o processo eleitoral universitário? Com essas decisões, não estaríamos demonstrando que não somos capazes de conduzir o processo eleitoral universitário?

Diante de todo o exposto, mais uma vez vemos quem manda na universidade, sempre os mesmos com suas velhas artimanhas que tumultuam, dispersam e obstruem o curso saudável da discussão democrática. A estratégia é sempre a mesma, então cabe aos valorosos conselheiros da UFMT tomarem de volta os rumos do processo eleitoral, caso contrário, aqueles poucos de sempre continuarão a conduzir os nossos destinos. Diante de toda articulação político-partidária, que amarra a universidade e a mantém parada no tempo, a UFMT pede socorro!

É necessário e urgente a instalação da comissão eleitoral na UFMT!!

Danieli Artuzi Pes Backes – Profa Dra. da Universidade Federal de Mato Grosso

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Dr. Rosário Casalenuovo Júnior: - Não faça botox nesta pandemia!

Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Artigos

Daniel Medeiros: – A inteligência do caraco

Publicados

em

 

                   A inteligência do caracol

Autor: Daniel Medeiros

Fala-se em fake news, tanta divulgação de falsas notícias, na influência deletéria sobre os eleitores, em mácula dos processos eleitorais e, por fim, na distorção da democracia. Sem negar nada disso, quero afirmar que a mentira não é o maior problema da política atual. A mentira, diga-se de passagem, é parte constituinte da política, da vida pública. Ninguém aparece como é em público. A aparência é a lógica das relações públicas e os acordos são costurados com aquilo que se pode mostrar e com aquilo que se pode prometer, um dia. Os gregos, quando usavam o termo alethea para designar a verdade, não se referiam a algo evidente, claro e distinto, mas como algo que se mostra. Ora, algo que se mostra, mantém algo que ainda se esconde. Não somos inteiramente transparentes, mas translúcidos. No entanto, em torno dessa margem de visibilidade, construímos as regras de funcionamento social. E a isso chamamos de verdade.

O problema novo é justamente a perda do valor dessa verdade. A ideia de que algo é certo porque foi acordado assim, de que uma direção é a mais adequada porque há um consenso em torno disso, de que uma explicação é a mais acertada, porque uma comunidade de estudiosos concorda com isso, de que um fato é este e não outro porque há testemunhos históricos suficientes. Nada disso tem mais importância para o mundo público. A isso alguns chamam de pós-verdade.

A dissolução desse acordo de construção das regras de convivência pública em torno de certas marcas acreditadas por todos é a fonte desse novo mal estar, dessa vertigem que presenciamos. Essa novidade não pode ser combatida apenas com a crítica àqueles que propagam falsidades. É preciso admitir que a crença na mentira tornou-se uma prática comum – não porque quem crê necessariamente sabe que é mentira, mas porque perdeu-se o respeito devido pela ideia de buscar a verdade, de verificar as diferenças entre os marcos reguladores da verdade (a diversidade de fontes, por exemplo) e a da mentira que se crê.

E assim, a disseminação da mentira acontece com a mesma ênfase com a que se buscou, há algum tempo, preservar a verdade; com a mesma convicção e com a mesma imensa desconfiança pelo “outro lado” que pode desconstruir esse porto seguro e acolhedor de se poder dizer algo sobre o qual se tem algum controle em um mundo sem referências, que traumatiza e apavora.

Cair na mentira, em outros tempos, em outro mundo, era algo desonroso. Hoje, tornou-se liberdade de expressão. Eu torno a minha opinião na minha verdade. Em um mundo que fragmentou costumes e que as pessoas mudaram tão drasticamente (geração x, y, z) e a cultura de massas esvaziou o gosto das coisas e a aceleração técnica desvalorizou os saberes, ter uma opinião é quase a única coisa que resta. Essas pessoas então se unem não mais para trocar ideias, mas para medir fidelidades a um pensamento comum e para organizar ações contra os diferentes.

O mundo se reduziu a amar ou odiar a opinião. #opresidentetemrazão
Como o caracol que não põe mais a cabeça para fora porque não confia mais no mundo e vê em tudo perigo e desastre. Só o seu mundinho de poucas frases parece coeso suficiente para chamar de seu. O único vínculo possível de se fazer com os outros é ditado por essa solidão. A liberdade é o seu contrário, é a autonomia, a ousadia. E o encontro entre pessoas livres é construído horizontalmente, sem obrigações ou dependências, sem juras de fidelidade, mas baseado naquilo que se mostra um ao outro e nas regras que se constroem em torno de lugar comum que é o do consenso. Para quem não sabe o que é isso, parece um monstro a ser combatido. Ser livre é discordar de mim, questionar-me. Os “meus” não fazem isso. #morraliberdade

A mentira tornou-se “liberdade de expressão” porque perdemos a ideia de liberdade. Ninguém diria algo assim se soubesse do que se trata. Só quando formos capazes de recuperar os espaços nos quais as experiências de liberdade possam ser compartilhadas, e ensinadas aos menores, e exercitadas pelos moços e moças, quem sabe poderemos reverter essa ameaça. Trata-se de uma luta contra o tempo. #tictactictac

Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo.

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Denia Consultoria: - Você vê excessos ou ausências na sua imagem?
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA