Opinião

Contradição tecnológica: os ‘cringes’ pagaram a língua

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Autor: Cristiano Caporici –

Quem tem mais de 25 anos, com certeza já ouviu – ou já disse – frases como: “a tecnologia vai acabar com os empregos” ou “a tecnologia vai afastar as pessoas“. É possível, ainda, listar uma dezena de citações de grandes nomes da humanidade que, no passado, viam com maus olhos a evolução tecnológica. Para trazer apenas um exemplo, Pablo Picasso disse, certa vez, que “computadores são inúteis. Eles conseguem apenas lhe dar respostas“.

Sim, para nós, que somos cringes – e saber o que é isso já diz muito sobre nossa relação com a tecnologia -, o advento da internet, por exemplo, foi um processo de muito aprendizado e, por vezes, de muita dor. É claro que, ao olharmos a Geração Z e sua estranha relação com as outras pessoas – principalmente por terem dificuldade de lidar com outro ser humano sem um gadget intermediando -, ainda nos assustamos. Deveríamos?

O foco aqui é, justamente, a humanização e a grande contradição em torno de como a evolução tecnológica nos permite desenvolver relações mais próximas. Mas, para falarmos do presente e olharmos para o futuro, precisamos voltar, brevemente, ao passado. Imagine que nossos avós eram impactados por um anúncio de jornal. Um único anúncio, com a mesma imagem e o mesmo texto para atingir as mais diferentes pessoas de variadas classes sociais.

Afinal, comprar uma lata de leite condensado nunca foi um grande segredo. Um guarda-roupas era apenas mais um item da sua casa. Mas o tempo passou e nossa relação com as marcas foi mudando. Um balzaquiano qualquer adora comparar elementos parafraseando Tostines (diga para um adolescente “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?” – ele vai olhar para você como quem vê uma assombração).

Se você comprou leite Parmalat porque foi impactado por crianças fantasiadas de animais, saiba que fez parte de um momento estratégico em nossa história, quando as ações das marcas já eram cheias de storytelling, mesmo antes desse termo ser popularizado. A título de curiosidade, a primeira menção oficial veio em 1993, com Joe Lambert, nos Estados Unidos.

Pulemos alguns anos, do fim da década de 90 para os dias de hoje. A evolução tecnológica que durante anos tirou o sono de alguns, não apenas não destruiu empregos ou afastou as pessoas como, pelo contrário, teve papel fundamental na humanização das relações. Se antes as marcas apenas “falavam” o que desejavam anunciar e a audiência “aceitava”, hoje o cenário é muito diferente. Comprar um guarda-roupa, como citado acima, envolve, por exemplo, “conversar” com uma “pessoa” chamada Lu, que se tornou tão real que é tratada como uma personalidade e seguida por milhões de seres humanos.

Hoje, as marcas são vistas como seres com personalidade, que acertam e erram, que falam e escutam. Escolher uma lata de leite condensado, por exemplo, vai muito além da embalagem que traga uma moça camponesa. Hoje, conquistar seu público exige que sua marca seja alguém, de fato. Comprovando a contradição, no momento mais sensível da humanidade no século atual, foi justamente ela, a tecnologia, que nos permitiu manter as relações humanas tão próximas, mesmo distantes – e em meio a uma pandemia.

Por essas e tantas outras, que nós, cringes, pagamos a língua.

Cristiano Caporici é diretor de Comunicação e Marketing da Tecnobank.

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Qual o meu desconto para pagar as dívidas do FIES?

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Autora: Gisela Simona –

No finalzinho de dezembro de 2021 muita gente comemorou a Medida Provisória de n. 1.090/2021 que garante a regularização de débitos vencidos e não pagos do Fundo de Financiamento Estudantil – FIES, mas existem dúvidas sobre quem verdadeiramente será beneficiado com a medida e qual o percentual de desconto de cada um.

Vale o registro que o FIES é um programa do Governo Federal destinado a concessão de financiamento a estudantes regularmente matriculados em cursos superiores de universidades privadas, com avaliação positiva pelo MEC.

Assim, é importante saber que a medida beneficia alunos que aderiram ao FIES até o segundo semestre de 2017 e os benefícios significam descontos e até perdão dos juros e das multas, parcelamentos e abatimento no valor principal da dívida.

O maior desconto será para os estudantes com débitos vencidos e não pagos há mais de 360 dias, contados da publicação da MP n. 1.090 de 30/12/2021, que estejam no Cadastro Único de Programas Sociais – CadÚnico ou que tenham sido beneficiários do Auxílio Emergencial 2021, com desconto de 92% do valor consolidado da dívida, inclusive principal, por meio da liquidação integral do saldo devedor.

Na sequência será concedido um desconto de 86,5% para os estudantes com débitos vencidos e não pagos há mais de 360 dias, contados da publicação da MP n. 1.090 de 30/12/2021, que não estejam no CadÚnico ou que não tenham recebido o Auxílio Emergencial em 2021.

Também terão descontos os estudantes com débitos vencidos e não pagos há mais de 90 dias, contados da publicação da MP n. 1.090 de 30/12/2021, sendo esse desconto da totalidade dos encargos e 12% do valor principal, para pagamento à vista ou mediante parcelamento em até 150 parcelas mensais e sucessivas, com redução de 100% de juros e multas.

A Medida Provisória irá beneficiar cerca de um milhão de contratos, sendo 548 mil de inadimplentes inscritos no CadÚnico ou que tenham recebido o Auxílio Emergencial em 2021 e mais 524,7 mil contratos dos demais inadimplentes.

Referida medida está vigente desde sua publicação e para aderir à renegociação da dívida do Fies, o estudante terá que procurar os canais de atendimento agentes financeiros, ou seja, do banco que fez o seu respectivo financiamento.

Para saber mais sobre seus direitos nos siga nas redes sociais @giselasimonaoficial.

  • Gisela Simona é advogada, especialista em Direito do Consumidor.
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