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Como saber se você está tendo um AVC

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Autor: Max Lima*

Primeiro de tudo, o que é um AVC? O Acidente Vascular Cerebral ou derrame como é popularmente conhecido, é um problema súbito nos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro.

Ele é causador de 68 mil mortes no Brasil e ainda é a principal causa de incapacidade.

Mas o que muita gente ainda não sabe é que cada minuto é fundamental para evitar que a doença seja fatal ou deixe sequelas irreversíveis. O atendimento ágil nas emergências especializadas é imprescindível para salvar ou garantir a qualidade de vida das pessoas.

Tipos de AVC

Ou é de origem isquêmica ou hemorrágica. A isquemia ocorre quando há uma obstrução ou redução brusca do fluxo de sangue, causando falta de circulação. A de origem hemorrágica é ocasionada pela ruptura espontânea ou traumática de um vaso, provocando o derramamento de sangue no cérebro.

Como identificar se estou tendo um AVC?

Muitos sintomas são característicos da doença. Fique atendo: fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna (especialmente em um lado do corpo); dificuldade para falar e entender (problemas para articular as palavras); perda de visão e visão turva (especialmente em um olho só) ou visão dupla; tonturas, perda de coordenação motora ou equilíbrio e dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

Pessoas que estão tendo um derrame apresentam dificuldades em descrever ou explicar os sintomas. Para confirmar o AVC, faça um teste rápido. “Rosto, Fala, Braços e Horário” (chamado de RBFH).

Rosto – peça para a pessoa sorrir. Veja se um lado do rosto está inclinado ou aparenta estar dormente. O sorriso pode parecer descoordenado ou torto em um dos lados.

Braços – solicite que a pessoa levante os dois braços. Caso ela não consiga, ou se um deles cair, a chance de haver um derrame é maior.

Fala – faça uma pergunta simples, como a idade ou o nome da pessoa. Veja como sai a fala na resposta ou se há dificuldade em formar as palavras.

Horário – se a pessoa apresentou algum dos sintomas descritos anteriormente, procure atendimento de emergência (na rua, ligue para o SAMU, 192). Além disso, marque o horário para saber quando essas primeiras manifestações do AVC Saiba que essa informação é muito útil para a equipe médica adotar o tratamento mais eficaz.

Como evitar um AVC?

Assim como outras doenças neurológicas e cardíacas, o AVC tem vários fatores de risco que podem ser prevenidos e controlados. Vamos conhecer alguns relacionados com mudanças no estilo de vida.

Na alimentação, as principais dicas para evitar um AVC são optar pela redução do consumo de sal, gordura e álcool, com a adoção de hábitos alimentares saudáveis, ingestão de mais vegetais, frutas, legumes, verduras e carnes magras.

Outro fato importante: abandonar o sedentarismo e praticar regularmente uma atividade física de que você goste. Não se esqueça também de manter o peso corporal controlado, principalmente a gordura abdominal.

As chances de ter um AVC podem ser reduzidas drasticamente se a pessoa conhecer os próprios fatores de risco e procurar ajuda médica.

Visite seu médico e confira sua pressão arterial, o colesterol, a saúde do coração e o diabetes. Se fumar, é hora de largar o cigarro.

*Max Lima é médico especialista em cardiologia e terapia intensiva,conselheiro do CFM, médico do corpo clínico do hospital israelita Albert Einstein, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso(SBCMT), Médico Cardiologista do Heart Team Ecardio no Hospital Amecor e na Clínica Vida , Saúde e Diagnóstico. CRMT 6194

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Para além do juramento de Hipócrates: a ética na prática médica

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Autor: Ermelino Franco Becker*

Passarei a minha vida e praticarei a minha arte pura e santamente. Em quantas casas entrar, fá-lo-ei só para a utilidade dos doentes, abstendo-me de todo o mal voluntário e de toda voluntária maleficência e de qualquer outra ação corruptora, tanto em relação a mulheres quanto a jovens.” (Juramento de Hipócrates).

O nauseante episódio do anestesista contra uma paciente vulnerável reuniu a totalidade da reprovação possível entre médicos, trabalhadores da saúde, operadores do direito e todo o resto da nação. Como pode um profissional de tão nobre carreira transgredir tão ostensivamente qualquer tipo de razoabilidade comportamental? Como é possível que tal pessoa tivesse a confiança dos colegas e da instituição para lá estar trabalhando?

Como professor e cirurgião, também me surpreende como uma pessoa com tal desvio de caráter conseguiu terminar o seu curso e receber um diploma de médico. E, mais ainda, completar um curso de residência, período em que os jovens estão expostos ao escrutínio estreito dos mestres, sendo exigidos nos limites da resistência pessoal em plantões noturnos, casos complexos, estudos extensos e, portanto, sendo testados seguidamente em seus limites emocionais e comportamentais.

É preciso lembrar que toda profissão da saúde tem essa natureza que franqueia aos médicos acesso à intimidade dos pacientes, incluídas aí a intimidade física, psicológica, familiar e até financeira. Tal exposição exige retidão de conduta absoluta por parte do médico e equipe, respeitando os princípios da bioética, quais sejam a beneficência, a não maleficência, a autonomia e a justiça. Frutos desses princípios se seguem temas práticos da formação dos alunos, como o sigilo, a omissão de socorro, o consentimento, o respeito à terminalidade e muitos outros. Ainda mais exigente é o respeito à sexualidade. Se o médico não se conduzir em discrição obstinada nesse assunto, fica inviabilizado o acesso dos pacientes aos tratamentos, pelo receio de, estando vulneráveis, serem vitimados por aqueles que seriam seus protetores.

Os mecanismos de controle de tais condutas abusivas não podem se resumir às delegacias e aos conselhos de medicina com seus processos formais e muitas vezes sujeitos a recursos que criam obstáculos. A comunidade profissional em cada ambiente de trabalho tem papel insubstituível e não pode se eximir de continuamente estar observando o profissional ao seu lado, no melhor sentido da proteção dos doentes. Tal responsabilidade precisa ser semeada em cada aluno de graduação durante o curso, esclarecendo-os sobre as razões históricas e formais do comportamento profissional. Acima de tudo, é necessário que eles compreendam seu papel social na proteção dos pacientes vulneráveis, incluindo crianças, idosos, inconscientes e até as pessoas de educação mais simples.

Desafios modernos para atingir tal formação passam pelos novos formatos das universidades, com grande número de alunos por turma, aulas a distância, e avaliações em provas objetivas, com poucas oportunidades de se acompanhar os alunos de maneira individualizada. A medicina é uma arte que se aprende de muitas fontes, mas todo aluno deveria ter um tutor ou equivalente, que lhe inspire e molde sua personalidade no sentido ético profissional, de modo a preservar o respeito que a profissão merece, sem banalizações e sem tolerância para as condutas abusivas.

*Ermelino Franco Becker é médico cirurgião oncologista, médico legista no IML de Curitiba e professor de Bioética e Ética Profissional do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP).

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