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Como estimular a “boa” política e evitar que a politicagem domine a sua empresa

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Autora: Niviani Rudek –

Muitas empresas buscam ser bem-sucedidas em suas atividades e projetos e, para isso, buscam recursos humanos, financeiros e a estrutura necessária para realizá-los. Mas para o bom andamento da resolução de problemas em uma empresa, há outras dificuldades, especialmente em relação à convivência e ao comportamento entre os profissionais. Seja para a aceitação de uma determinada ideia, projeto ou até mesmo para a adoção de medidas efetivas para o futuro de uma empresa, a política está presente. Afinal, faz parte da política a boa capacidade técnica, poder de convencimento e persuasão e boa capacidade de negociação, articulação e diálogo. Mas é preciso tomar cuidado para que isso não se transforme em politicagem.

A politicagem diz respeito a utilizar do famoso “jeitinho” para que uma determinada ideia ou projeto se sobressaia e para que atenda a um determinado projeto individual ou de um grupo específico. Ela também diz respeito ao abuso de uma determinada “autoridade” sobre outra na mesma empresa ou à utilização de práticas antiéticas. Para que isso a empresa possa superar isso, os líderes precisam estar atentos às suas equipes, competências e personalidades e mostrar os benefícios e contribuições para que as ações voltadas para o bem comum podem trazer. A partir disso, quatro pontos são importantes para que a “boa política” ganhe espaço na empresa.

– O primeiro é a coerência entre o discurso e a realidade. As novas gerações buscam transparência e exigem que a teoria esteja aplicada à prática em relação às atividades do dia a dia, aos princípios e à missão da empresa. Os colaboradores cobram por isso e precisam estar alinhados ao que a empresa pensa e à forma como age.

– No segundo ponto é importante que os colaboradores deixem o ego de lado e busquem o melhor para a empresa. Por mais que uma determinada pessoa esteja em um nível hierárquico maior ou tenha mais experiência não vai estar necessariamente certa o tempo inteiro. É importante não se preocupar em ganhar sempre (uma discussão ou uma ideia), mas ter empatia e reconhecer a capacidade da equipe.

– Em terceiro, é essencial a capacidade de ouvir. Ao ouvir novas ideias e compreender novas visões de mundo de maneira sincera e agregadora, um líder aumenta significativamente a chance de influenciar e ser influenciado. Todos sempre têm algo a acrescentar e, dessa maneira, toda a empresa evolui.

– Por último, é importante lembrar que não se deve confundir as diferenças de ideias profissionais com a questão pessoal. Uma discordância em uma questão profissional, especialmente, com um líder, deve ser vista como uma divergência apenas naquele determinado ambiente e não como uma ofensa. Separar os dois ambientes proporciona a diversidade de ideias e crescimento profissional das equipes.

A existência desses atritos pode ser identificada com certa facilidade mas a resolução desses problemas pode ser mais difícil. Os métodos da Gestão de Mudanças podem trabalhar isso de maneira eficiente, buscando identificar problemas e superar conflitos através de técnicas de comunicação e gestão de pessoas. Dessa maneira, o objetivo é que os colaboradores e líderes se tornem mais engajados, com foco na superação de limitações e oferecendo elementos para que as diferentes capacidades técnicas das equipes possam se complementar.

É importante que a política esteja presente nas ações da empresa, mas que seja aquela que possa causar uma influência com ética e de forma legítima, com valores e propósitos que beneficiarão a todos. Quando colaboradores e líderes trabalham em conjunto e são valorizados e devidamente ouvidos, o resultado será um melhor desempenho e o crescimento comum da empresa (e, consequentemente, crescimento profissional de todos os envolvidos).

Niviani Rudek é diretora de operações da Gateware.

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Para além do juramento de Hipócrates: a ética na prática médica

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Autor: Ermelino Franco Becker*

Passarei a minha vida e praticarei a minha arte pura e santamente. Em quantas casas entrar, fá-lo-ei só para a utilidade dos doentes, abstendo-me de todo o mal voluntário e de toda voluntária maleficência e de qualquer outra ação corruptora, tanto em relação a mulheres quanto a jovens.” (Juramento de Hipócrates).

O nauseante episódio do anestesista contra uma paciente vulnerável reuniu a totalidade da reprovação possível entre médicos, trabalhadores da saúde, operadores do direito e todo o resto da nação. Como pode um profissional de tão nobre carreira transgredir tão ostensivamente qualquer tipo de razoabilidade comportamental? Como é possível que tal pessoa tivesse a confiança dos colegas e da instituição para lá estar trabalhando?

Como professor e cirurgião, também me surpreende como uma pessoa com tal desvio de caráter conseguiu terminar o seu curso e receber um diploma de médico. E, mais ainda, completar um curso de residência, período em que os jovens estão expostos ao escrutínio estreito dos mestres, sendo exigidos nos limites da resistência pessoal em plantões noturnos, casos complexos, estudos extensos e, portanto, sendo testados seguidamente em seus limites emocionais e comportamentais.

É preciso lembrar que toda profissão da saúde tem essa natureza que franqueia aos médicos acesso à intimidade dos pacientes, incluídas aí a intimidade física, psicológica, familiar e até financeira. Tal exposição exige retidão de conduta absoluta por parte do médico e equipe, respeitando os princípios da bioética, quais sejam a beneficência, a não maleficência, a autonomia e a justiça. Frutos desses princípios se seguem temas práticos da formação dos alunos, como o sigilo, a omissão de socorro, o consentimento, o respeito à terminalidade e muitos outros. Ainda mais exigente é o respeito à sexualidade. Se o médico não se conduzir em discrição obstinada nesse assunto, fica inviabilizado o acesso dos pacientes aos tratamentos, pelo receio de, estando vulneráveis, serem vitimados por aqueles que seriam seus protetores.

Os mecanismos de controle de tais condutas abusivas não podem se resumir às delegacias e aos conselhos de medicina com seus processos formais e muitas vezes sujeitos a recursos que criam obstáculos. A comunidade profissional em cada ambiente de trabalho tem papel insubstituível e não pode se eximir de continuamente estar observando o profissional ao seu lado, no melhor sentido da proteção dos doentes. Tal responsabilidade precisa ser semeada em cada aluno de graduação durante o curso, esclarecendo-os sobre as razões históricas e formais do comportamento profissional. Acima de tudo, é necessário que eles compreendam seu papel social na proteção dos pacientes vulneráveis, incluindo crianças, idosos, inconscientes e até as pessoas de educação mais simples.

Desafios modernos para atingir tal formação passam pelos novos formatos das universidades, com grande número de alunos por turma, aulas a distância, e avaliações em provas objetivas, com poucas oportunidades de se acompanhar os alunos de maneira individualizada. A medicina é uma arte que se aprende de muitas fontes, mas todo aluno deveria ter um tutor ou equivalente, que lhe inspire e molde sua personalidade no sentido ético profissional, de modo a preservar o respeito que a profissão merece, sem banalizações e sem tolerância para as condutas abusivas.

*Ermelino Franco Becker é médico cirurgião oncologista, médico legista no IML de Curitiba e professor de Bioética e Ética Profissional do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP).

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