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Cassiana Bessa: – Primavera: A estação alérgica

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                   Primavera: A estação alérgica

Autora: Cassiana Bessa

A estação do ano que faz a transição entre o inverno e o verão não é marcada somente pelo aumento de flores nas cidades. Em razão do tempo mais seco, aumento da temperatura e da baixa umidade, existem doenças comuns na primavera que tiram o sono de inúmeras famílias.

Nesta época do ano, a saúde de pessoas alérgicas a pó, pólen e poluição geralmente fica ainda mais sensível. O pólen se desprende das flores e fica pelo ar, facilitando que as pessoas entrem em contato com ele, o que pode causar irritações. Entre os afetados, os que mais sofrem são as crianças e idosos, além dos portadores de doenças crônicas.

A prevenção ao surgimento dessas doenças se faz através de bons hábitos de higiene – como a lavagem frequente das mãos, ingestão de bastante água, evitar locais de aglomeração, mantendo o ambiente limpo e arejado com janelas abertas. A entrada de sol em lugares ventilados elimina fungos e ácaros, evitando rinites, corizas, coceira e alergias.

Vale destacar ainda que, ao retirar as roupas leves do fundo do armário, que estão sem ser usadas há um bom tempo, é recomendado lavá-las antes de usar para eliminar fungos e ácaros presentes nelas. É recomendado também suspender o uso de tapetes durante este período do ano.

Além de desencadear agravos respiratórios, o aumento de substâncias irritantes no ar também pode levar ao surgimento da conjuntivite, que é uma inflamação na mucosa que reveste o globo ocular e causa vermelhidão, lacrimejamento e sensibilidade à luz. O cuidado com a higienização das mãos, principalmente antes de tocar no nariz, boca e olhos, e a limpeza do ambiente são os meios de melhor prevenção.

Conheça as doenças mais comuns:

Rinite alérgica: parece um resfriado, com a diferença que o paciente sente coceira no nariz, nos olhos ou na garganta e os sintomas são mais persistentes do que um resfriado comum. Ela é a alergia mais comum nas crianças, atingindo cerca de 30% delas. A rinite alérgica é desencadeada por fatores como ácaros, pólens e caspas (epitélio) de animais. A variação climática, a poluição e o tempo seco pioram os sintomas. Normalmente, a criança com rinite é geneticamente predisposta: se um dos pais for alérgico, a criança tem 30% de chance de também ser. Se os dois pais foram alérgicos, a criança tem 80% de chance de ser. O tratamento depende dos sintomas: se eles acontecem apenas nas crises ou se são bastante frequentes. Para tratar crises, são utilizados anti-histamínicos. Em casos mais persistentes é necessário tratar de forma contínua com corticoide nasal. Mas estes medicamentos dependerão da idade da criança. Como medida de prevenção, deve ser feita lavagem nasal com solução fisiológica.

Conjuntivite alérgica: A conjuntivite é a inflamação da membrana que cobre o olho. Ela pode acontecer por diversos motivos, como uma infecção viral, bacteriana, irritação química ou ainda uma reação alérgica. A conjuntivite alérgica pode ter como fator desencadeante poeira, ácaros, caspas de animais e pólens, por isso acontece com frequência na primavera. Frequentemente está relacionada à rinite alérgica. Ao contrário das conjuntivites virais e bacterianas, a alérgica não é transmissível. Geralmente o tratamento é feito por colírios, mas é muito importante consultar um especialista para o diagnóstico correto do tipo de conjuntivite.

Roséola: é uma infecção viral infecciosa bastante comum, que causa febre e erupções cutâneas (manchas vermelhas na pele), principalmente em crianças entre os seis meses e três anos de idade. Ela normalmente não é grave e gera alguns dias de febre antes das erupções começarem. Raramente, no caso de febre muito alta, pode existir alguma complicação. Algumas crianças têm apenas um caso muito leve de roséola, desenvolvendo poucos sintomas e não dando muitos sinais da doença, enquanto outras têm todos os sintomas de forma acentuada. Os sintomas incluem frequentemente: febre alta que começa de repente; erupções cutâneas, ou manchas avermelhadas, que não coça, ao longo da pele quando a febre desce. Elas podem durar apenas algumas horas ou dias, dependendo do caso, e geralmente surgem primeiro nas costas, peito e abdômen, podendo ou não aparecer no rosto e pernas. O tratamento para a roséola inclui que o paciente fique em repouso, beba bastante líquido e utilize medicações para reduzir a febre.

Asma: os brônquios (canais que levam ar aos pulmões) ficam inflamados, ocorrendo seu estreitamento, principalmente quando entram em contato com um fator desencadeante (poeira, ácaros, poluição, fumaça de cigarro, ar frio ou exercício físico), dificultando a respiração. Nesta época, o pólen de flores e gramíneas é carregado pelo vento e pode funcionar como um alérgeno nas crises de asma. Na asma, expirar é mais difícil do que inspirar, uma vez que o ar viciado permanece nos pulmões provocando sensação de sufoco. Os sintomas mais frequentes são: falta de ar, tosse seca e chiado ou aperto no peito; gripes e resfriados costumam agravá-los. O tratamento pode variar respeitando as individualidades de cada paciente, geralmente envolve broncodilatadores e o uso de corticoide inalado para melhora da inflamação dos brônquios. Hoje existem medicamentos chamados imunobiológicos para os casos mais graves.

Catapora: ou varicela, é uma infecção causada pelo vírus varicela-zoster. É altamente contagiosa, mas quase sempre sem gravidade. É uma das doenças mais comuns em crianças menores de 10 anos, tanto que mais de 90% dos adultos são imunes, pois já a contraíram em alguma época da vida. Uma vez exposta à doença, a pessoa fica imune pelo resto da vida. Varicela em crianças é considerada uma doença sem muita gravidade, mas que pode deixá-las muito irritadas e cansadas por causa dos sintomas. Primeiro vem a febre, que pode chegar a 39,5º, mal-estar, falta de apetite e cansaço. Depois, começam as manchas vermelhas que coçam muito. Essas manchas se transformam em bolhas cheias de líquido que, depois de estourarem, formam pequenos machucados que logo se tornam cascas e se curam. Normalmente, o processo da doença demora entre uma e duas semanas. Não há tratamento específico, mas há medicamentos que podem aliviar os sintomas. A doença, que é altamente contagiosa, se propaga das seguintes formas: de mãe para bebê durante a gravidez, parto ou amamentação; por gotículas respiratórias no ar (tosse ou espirro); contato com a pele (apertos de mão ou abraços); por toque em uma superfície contaminada (cobertor ou maçaneta). A melhor forma de prevenir a doença é se vacinar, e desde 2013, a vacina contra a catapora é oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Cassiana Bessa de Lima Magalhães é farmacêutica formada pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri) e pós-graduanda em Saúde Pública da Família e Saúde Mental, pelo Instituto Passo 1. Atualmente trabalha em Unidade Básica de Saúde (UBS).

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Karin Krause Boneti: – Câncer de mama: conheça sinais menos comuns em sua pele

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    Câncer de mama: conheça sinais menos comuns em sua pele

Autora: Karin Krause Boneti

Todo mundo fala sobre a importância de identificar nódulos mamários o mais cedo possível. Mas, você sabia que há uma série de sinais e sintomas menos conhecidos do câncer de mama que as mulheres devem observar? Tanto que é preciso falar sobre o tema em todos os meses do ano – muito além do período relacionado à campanha Outubro Rosa.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), estimam-se 66.280 novos casos de câncer de mama no Brasil em 2020. Mais do que prevenir e cultivar hábitos saudáveis, é muito importante manter um olhar atento para o próprio corpo. Embora a doença seja mais frequentemente descoberta pela detecção de um nódulo (caroço) durante uma mamografia, outros pontos devem ser observados no que diz respeito ao autoexame.

Um deles está relacionado à secreção incomum no mamilo, que pode ser um indicador de que algo está errado na mama. Tal corrimento pode apresentar sangue ou ter uma coloração rosa e, geralmente, apenas em um lado – o pode indicar a presença de câncer no tecido mamário, especialmente se for persistente.

Outra questão envolve as mudanças na pele. Alterações cutâneas são, na verdade, um dos sinais menos conhecidos mais comuns da neoplasia maligna. Espessura ou vermelhidão da pele, junto com um pequeno inchaço, como a casca de uma laranja, é um sinal. Por exemplo, você vê covinhas – ondulações – onde estão os folículos pilosos. Essas diferenças podem indicar a presença de um câncer de mama inflamatório.

A propósito, vermelhidão, crostas ou descamação do mamilo ou aréola podem ser um sinal da doença de Paget, que pode ser uma indicação de um tipo raro de câncer de mama. As alterações na pele dos mamilos muitas vezes se parecem com condições benignas, como psoríase ou eczema, mas não respondem aos tratamentos tradicionais para essas doenças e, em vez disso, pioram.

Também é importante avaliar se ocorreu algum aumento no tamanho dos seios. Não é incomum que eles inchem na época do seu ciclo menstrual. Contudo, fora desse período, uma mama aumentada – especialmente se o inchaço for isolado em uma delas – ou uma mudança no formato da mama podem indicar problemas dentro do tecido. Por exemplo, uma forma incomum em que o contorno é distorcido e há uma protuberância em uma parte da mama pode ser um sinal de câncer.

Ou seja, pode parecer um caroço ou apenas uma região da mama que parece mais firme e que a pessoa realmente não consegue sentir um caroço nela. Por vezes, torna-se mais evidente quando a pessoa se move em posições diferentes.

Indo além, um mamilo que parece achatado ou invertido, bem como um mamilo que aponta em uma direção diferente daquela que apontava antes, pode ser um sinal de câncer de mama. Um mamilo plano ou invertido é outro sinal da doença de Paget.

Pontos vermelhos ou quentes na mama, às vezes cobrindo toda a mama, podem ser um indicador de câncer de mama inflamatório. Embora os pontos vermelhos ou quentes também possam indicar mastite (inflamação do tecido mamário devido à infecção), mais frequentemente vivenciada durante a lactação, os sintomas da mastite são geralmente acompanhados de febre. Logo, quando sem febre, persistente e sem melhora, isso pode significar a presença do câncer de mama.

É válido lembrar que todos esses sinais e sintomas podem indicar outros problemas benignos que não são o câncer de mama, mas é fundamental monitorá-los e agir caso não desapareçam ou diminuam. Para aquelas que já tiveram câncer de mama, pode ser ainda mais difícil distinguir o inócuo do maligno, pois é complicado distinguir do tecido cicatricial do câncer de mama anterior.

Se fez mastectomia e reconstrução, a pessoa pode ter caroços e inchaços que são devido ao tecido cicatricial resultante do processo de cura no local em que ocorreu a remoção e recriaram a mama. Logo, mantenha seu médico sempre atualizado. E não importa o que aconteça, todas as mulheres devem prestar atenção em seu corpo e fazer o autoexame e a mamografia regularmente. Se notar algo incomum, procure um especialista.

Karin Krause Boneti é médica dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e diretora clínica da Frémissant

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