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Andréa Ladislau: – “O medo paralisante que impede o tratamento das doenças crônicas em tempos de Covid-19”

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O medo paralisante que impede o tratamento das doenças crônicas em tempos de Covid-19

Autora: Andréa Ladislau

O universo da saúde no Brasil e no mundo passa por transformações muito peculiares em tempos de pandemia. Com praticamente três meses de isolamento social e ainda vivendo dias de incertezas e atualizações constantes dos cuidados e protocolos para se evitar a contaminação pelo Coronavírus, um outro inimigo vem se destacando entre a população: o medo paralisante.

Um medo que hoje impede pacientes de doenças crônicas, em tratamento contínuo antes da pandemia, de darem continuidade ao acompanhamento médico de rotina. Diabetes, hipertensão, obesidades e cardiopatias ganham destaque pela necessidade do controle adequado que, em função do medo extremo do contágio, provocou a paralisação e modificação do dia a dia de algumas pessoas.

Relatos dos especialistas demonstram que esse cenário é muito sério, pois sinais de agravamento de certas doenças estão sendo negligenciados. Um exemplo são os casos dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) que são considerados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a segunda maior causa de mortes no mundo. Uma doença extremamente grave, que exige que a busca pelo diagnóstico e tratamento seja feita com a maior brevidade, pois cerca de 1,9 milhões de neurônios podem morrer por minuto em caso de um ataque. E se o socorro não vier a tempo, seguindo os protocolos médicos específicos, o paciente pode vir a apresentar sequelas e demências irreversíveis.

Porém, por medo de buscar um estabelecimento de saúde e correr o risco de se contaminar com o Covid-19, os sintomas estão sendo ignorados e muitas pessoas chegam a morte por não serem socorridas a tempo. Situação parecida também vem ocorrendo com os casos de pacientes diagnosticados com dengue ou com diversos tipos de cardiopatas.

Essa fobia, caracterizada por pensamentos negativos e uma sensação de terror à exposição extrema ao vírus, faz com que o paciente alimente uma tendência a se esquivar do que é temido – omitindo muitas vezes dos familiares e amigos dores, sensações e sintomas graves, e comprometendo de forma profunda sua saúde. Um medo incômodo que possui bases psicológicas e fisiológicas, afetando o equilíbrio mental e a sobrevivência do paciente.

Aprender a administrar e controlar esse medo, tomando os cuidados necessários e seguindo as orientações de prevenção de contágio do Coronavírus, é um grande desafio para a atualidade. O que não se pode permitir é que a resposta adaptativa mental necessária, que deve ser benéfica, aliada à continuidade dos tratamentos de saúde do indivíduo, produza uma tempestade química de mudanças psíquicas e fisiológicas no organismo – a ponto de bloquear a capacidade mental do entendimento de que é necessário continuar a viver. O estresse paralisante deve ser eliminado para não alimentar o pânico e não transformar o ser em um refém de seus próprios anseios.

É muito importante não interromper os tratamentos continuados e também não deixar de sinalizar ou buscar ajuda de um médico quando perceber que algo está errado. É compreensível o sumiço dos hospitais e dos consultórios, mas as doenças são tão perigosas quanto o Covid-19. É claro e evidente que os cuidados para não se contaminar devem ser tomados e intensificados, pois a restrição de circulação permanece. Mas interromper um tratamento ou retardar um auxílio no aparecimento de um sintoma grave pode ser fatal. Entenda que emergências não podem ser ignoradas.

Enfim, psicologicamente falando, os problemas de saúde com risco de vida não podem ser potencializados pelo medo e pelo pânico. A busca por atendimento médico, em caso de necessidade, passa por uma questão de amor próprio e responsabilidade consigo mesmo – e não devem sofrer qualquer impedimento do cuidado, pois, em alguns casos, cada minuto é precioso para o sucesso do tratamento.

A necessidade da atenção médica regular não foi abolida pelo vírus. O que precisa ser abolido, ou pelo menos controlado, é o medo e a angústia que nos impede de seguir a vida. A adaptação a novos modelos de organização diária foi necessária para que possamos mitigar a curva de contágio. No entanto, devemos aprender a olhar para todas essas modificações com um senso de respeito a nós e ao próximo, valorizando ainda mais nossa vida e promovendo a saúde mental e o equilíbrio físico adequado ao nosso bem-estar.

Dra. Andréa Ladislau – Psicanalista – Doutora em Psicanálise, Palestrante, Colunista, Academia Fluminense de Letras, Gestora em saúde, Repres. Intern. (USA) da University Miesperanza

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Itallo Leite: – Adaptação: presente e futuro da advocacia

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          Adaptação: presente e futuro da advocacia

Autor: Itallo Leite

Há 193 anos comemora-se o Dia do Advogado, na data em alusão à lei de criação dos primeiros cursos de Direito no Brasil, implementados em 11 de agosto de 1827, por D. Pedro I, em Recife e São Paulo.

Nesses quase 200 anos, muita coisa mudou para quem exerce a advocacia como profissão, mas nunca presenciamos uma transformação tão acelerada quanto nos últimos meses.

O ano de 2020 será um marco na história da humanidade, pelo enfrentamento da “Pandemia” do novo Coronavírus, e institui uma nova era para todos os advogados e advogadas dentro do universo digital.

A tecnologia que altera as dimensões de tempo e espaço e constitui novas relações sociais é o grande vetor de transformação pelo qual estamos passando enquanto profissionais do Direito.

É interessante ver que o “novo normal”, termo que apesar de ter apenas poucos meses de uso já é considerado clichê, obedece aos mesmos preceitos da teoria da seleção natural de Darwin, publicada em 1859: quem sobrevive não é o mais forte, é quem se adapta mais rápido.

Saímos do século 19 para um século 21 cheio de desafios. Entramos na era da Advocacia 5.0, uma revolução que busca a solução de problemas sociais com alternativas inteligentes e digitais. É a união entre a tecnologia e o humano, permitindo que descentralizemos tudo e possamos atuar de qualquer lugar.

Inteligência artificial, sistemas de gestão de escritórios e processos, plataformas de resolução de conflitos online, ferramentas de automação, decisões judiciais virtuais, banco de dados como assessores. Tudo isso pode ser assustador num primeiro momento, mas está posto e precisamos tirar o máximo de proveito.

E é justamente nestes contextos que a atuação das instituições se torna essencial para respaldar que as evoluções ocorram, mas que também haja oportunidade para que todos possam integrar a transformação.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) está atenta às mudanças que vêm ocorrendo e, por meio de suas comissões, tem buscado facilitar a adaptação dos profissionais da advocacia para esta nova realidade.

A advocacia 5.0 tem que ocorrer o mais próximo possível de sua própria proposta: de forma integral, rápida e universal, não permitindo que advogados e advogadas fiquem de fora por falta de oportunidade. A OAB-MT está buscando meios de democratizar o acesso às novas ferramentas profissionais, de acompanhar as exigências que surgem e de suprimir distâncias tecnológicas ou físicas.

Advogados e advogadas de todos os municípios precisam ter as mesmas condições de trabalho que os profissionais dos grandes centros. Assim como os mais jovens precisam se unir aos mais experientes para trocar expertises, cada um com sua visão sobre a profissão e os instrumentos do Direito.

Temos novos conceitos sendo implantados como o Legal Design, uma interligação entre o design, o Direito e a tecnologia que busca resolver problemas, simplificar os processos e facilitar a vida dos nossos clientes. É focado na empatia para gerar resultados e entregar valor para as pessoas e as empresas que atendemos.

Adaptação é o termo que define o presente e o futuro da advocacia. Temos soluções e ferramentas à disposição que nos permitem trabalhar de qualquer lugar. Precisamos construir ou adaptar a carreira a esse novo momento do mundo, que muda em alta velocidade.

Voltando mais uma vez ao século 19, uma famosa frase atribuída a Henry Ford, nascido em 1863 e pai da indústria automobilística, dizia: “se eu tivesse perguntado às pessoas o que elas queriam, teriam dito cavalos mais rápidos”.

Ford criou a linha de produção, reduziu o tempo e os custos para produzir um carro e transformou o mundo. É essa ousadia que deve nos inspirar.

Se perguntássemos a muitos profissionais do Direito, hoje, o que eles querem, muitos diriam uma Justiça mais célere. Nós, advogados e advogadas, mediadores dos processos legais, podemos e devemos transformar os desafios em oportunidades.

Que essa data comemorativa seja um novo marco para a nossa profissão, a partir da atitude de cada um que acredita que pode se adaptar, fazer melhor e colaborar para fortalecer a advocacia de Mato Grosso e tornar a Justiça mais eficiente e justa para todo o Brasil.

Parabéns, advogados e advogadas!

ITALLO LEITE – Presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de Mato Grosso (CAA/MT)

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