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Alexandre Calegari: – O que esperar dos laboratórios a partir de 2020

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       O que esperar dos laboratórios a partir de 2020

Autor: Alexandre Calegari

O mercado de medicina diagnóstica atende cada vez mais vidas em todo o Brasil. Para se ter ideia da contribuição e importância do setor, bem como do seu crescimento, projeções do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) apontam que a demanda por exames deve mais do que dobrar até 2030.

Apesar da recuperação econômica do país andar a passos largos, impedindo de deixar o setor desenvolver todo seu potencial, os laboratórios continuam evoluindo e inovando. Hoje, a tecnologia tem facilitado bastante os processos laboratoriais, permitindo a realização de exames em grande escala, em menor tempo, com melhor qualidade e precisão, sem contar com a redução de custos operacionais.

Nesse caminho, o setor de saúde como um todo passa por uma transformação digital ao mesmo tempo em que começa a deixar de lado o foco no tratamento-cura, para o cuidado à saúde e também para a prevenção, priorizando o bem-estar do paciente. Diante desse cenário, algumas tendências no segmento de medicina diagnóstica serão mais acentuadas nos próximos anos para agregar mais valor à toda a cadeia da saúde.

Cada vez mais convencidos de que o acesso fácil e ágil a informações e dados do paciente e resultados que apoiam o desfecho clínico deve estar no centro dessas decisões, laboratórios vão apostar em mais investimentos em infraestrutura e automatização de processos.

As inovações tecnológicas serão alimentadas por investimentos em pesquisa e desenvolvimento, sempre na busca de soluções que melhorem a experiência do paciente. Nesse quesito, o foco em um atendimento humanizado e personalizado tem sido um dos caminhos para alcançar a satisfação do paciente.

Para aproximar os pacientes dos laboratórios e promover uma melhor experiência, a aposta também será em processos digitais para facilitar a jornada dos pacientes. Exemplo desse movimento de transformação digital são os aplicativos móveis, como o Onlife, cujo objetivo é conectar o paciente em tempo real com o laboratório, desde o pré-agendamento de exames até a consulta de resultados, disponibilizando o acesso a todo o seu histórico do atendimento no laboratório, download de laudos e o compartilhamento dos documentos com os médicos solicitantes.

A tecnologia ainda dará maior segurança e engajamento ao colaborador, com menores chances de erros nos processos, desde o atendimento até a entrega do exame ao paciente.

Os laboratórios também já se preparam para se adaptar às mudanças referentes a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entra em vigor em agosto de 2020. Para saber como lidar com as informações dos pacientes e colaboradores, as empresas terão de dedicar tempo e recursos. Será um grande desafio devido à complexidade da legislação, inclusive na adaptação de novos sistemas. Os que não estiverem em conformidade com esta lei estarão sujeitos a altas penalidades.

O registro de dados tornou-se a pedra preciosa das empresas do setor, que vão investir cada vez mais nessa questão. A partir de uma gestão eficiente, com a análise de dados qualificados, organizados e devidamente armazenados, o gestor consegue ter uma visão mais ampla da empresa como um todo e tem condições mais claras de deliberar sobre determinados assuntos.

Apesar de todas essas tendências balizadas pela transformação digital precisamos estar preparados com um novo “mindset”, compreendendo que é impossível separar estratégia dos negócios da inovação, nem tecnologia da centralidade humana. A tecnologia deve ser usada para alavancar o potencial das organizações, trazendo velocidade, capilaridade, empoderamento e autonomia, mas sempre dentro do propósito de servir o ser humano.

Alexandre Calegari é gerente de produto da Shift, empresa brasileira especializada em Tecnologia da Informação para medicina diagnóstica. Calegari tem mais de 16 anos de experiência nesse segmento, é graduado em Tecnologia e Processamento de Dados pela UNIRP e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV, atualmente lidera projetos estratégicos da Shift e a área de Gestão de Produtos.

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Roberta Züge: – Covid e alimentos: o leite como importante fonte de suprimentos para o combate

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Covid e alimentos: o leite como importante fonte de suprimentos para o combate

Autora: Roberta Züge

Em tempos de pandemia, muitas dúvidas surgem em relação à como fortalecer o sistema imunológico, aquele que ataca os microrganismos causadores de doenças, como o vírus da Covid-19. Um sistema de defesa robusto tem mais chances de combater tais agentes com muito sucesso.

Muitos estudos estão sendo realizados, em diversas partes do planeta. Um grupo de cientistas australianos, do Doherty Institute, anunciou que identificou como o sistema imunológico do corpo combate a Covid-19. Nesta publicação, eles puderam descrever o aumento da defesa imunológica e das células de anticorpos, e descobriram que essas células são muito semelhantes às ativadas em pacientes com influenza, que é a gripe comum.

Neste estudo, que foi conduzido testando a resposta imunológica em quatro momentos diferentes da infecção por Covid-19, podem-se identificar tipos diferentes de células imunológicas. É como se o pelotão de combate fosse composto de diferentes armamentos, cada fase utilizando uma arma diferente.

Como o corpo precisa se armar, ele depende dos insumos para produzir o arsenal. Basicamente, o corpo humano transforma o que é ingerido em armas. Se a matéria prima não for de qualidade, ou se faltar algum insumo, estas respostas também não serão adequadas. Afinal, o pelotão pode não estar armado adequadamente, caso falte os suprimentos.

A maior parte destes insumos são os alimentos que ingerimos. No entanto, o sistema imunológico não é invencível: não há nenhum alimento mágico, suplemento ou outra vitamina que pode torná-lo inatacável. É um sistema muito intricado que envolve distintas células e moléculas cujas reações precisam de regulação.

Claro, o alimento certamente não é a única resposta, um estilo de vida saudável contribui para o combate às infecções, fortalecendo o sistema imunológico. Quanto aos alimentos a serem favorecidos, é preciso lembrar, acima de tudo, que é essencial evitar deficiências. Uma dieta equilibrada fornece a grande maioria de todos os nutrientes que o corpo precisa.

Certos nutrientes foram identificados para promover a resposta imune ‌pelo aumento da proliferação de linfócitos (as células de combate), é o caso da arginina (aminoácido presente em certas proteínas, como a whey) e do zinco, que é um mineral com melhor absorção quando oriundo de produtos de origem animal.

Neste contexto atual, para combater o coronavírus, é essencial otimizar as funções do sistema imunológico e, assim, combater melhor as infecções bacterianas e virais. Para fortalecer as defesas imunológicas e melhorar a saúde, os alimentos devem ser diversificados‌. Será especialmente direcionado a certos alimentos para fornecer os nutrientes que mais especificamente desempenham um papel no sistema imunológico.

Para fortalecer o sistema imunológico, a dieta deve ser diversificada. É necessário favorecer alimentos que contenham: antioxidantes, ômega 3, aminoácidos, fibras, magnésio, probióticos de zinco e prebióticos.

Quais alimentos? Todos os legumes e frutas frescas, sementes oleaginosas; carnes magras e miudezas; peixes e crustáceos; cereais e legumes; leite e derivados; e óleos ricos em ômega 3 e 6.

Infelizmente, há divulgação tendenciosa indicando que leite e derivados não devem ser consumidos, o que é exatamente ao contrário. Ele fornece suprimentos para confeccionar as armas deste combate. O leite é um alimento muito rico e, acima de tudo, realmente muito barato frente aos nutrientes que pode oferecer. Neste momento de incertezas e de muitas fake news, é importante manter o organismo bem nutrido e, nada melhor, que um alimento completo, que tenha fácil absorção de seus nutrientes.

Roberta Züge; Diretora Administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Diretora de Inteligência Científica Milk.Wiki; Médica Veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP); Sócia da Ceres Qualidade

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