Opinião

Agradeça a um professor hoje

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Autora: Vanessa Zanoncini –

O mundo mudou e, consequentemente, a Educação também. Se antes o professor precisava do giz, da lousa, do caderno e do lápis, quando muito, para ministrar uma aula, hoje são incontáveis os recursos disponíveis no ambiente escolar para se transmitir conhecimento. Não estou dizendo que não seja possível que ele o faça com pouco – muito pelo contrário, milhares de salas de aulas espalhadas pelo mundo ainda contam apenas com um profissional dedicado e crianças prontas a aprender a sua frente. Porém, é necessário percebermos o quanto professores têm se dedicado para acompanhar os progressos tecnológicos ao mesmo tempo em que ensinam para crianças já nascidas com a tecnologia em mãos.

O professor é aquele que precisa despertar curiosidade e a vontade de aprender. Como um grande artista do papel de ensino e aprendizado, ele é aquele que transmite não apenas o conteúdo, mas permeia as questões socioemocionais de valorização do ser humano, de respeito, de uma comunicação mais clara e precisa, de interpretar o mundo. Sendo assim, ele se esforça a cada dia para ser o melhor que os alunos vão encontrar. Ele busca, nos cursos de formação continuada, se atualizar e entender como transmitir, da melhor forma, aquilo que aprendeu de um jeito completamente diferente algum tempo atrás. Ele aprendeu com lápis e ensina com tela. Aprendeu ouvindo e ensina ouvindo também, afinal de contas, agora sabe que a melhor forma de ensinar é fazendo com que ensinem. É esse profissional que está, exaustivamente, encontrando novos caminhos metodológicos e didáticos a cada dia.

Com aulas para preparar, material didático para compreender, recursos para manipular, entre tantas outras coisas, o professor se desdobra e enxerga à sua frente não só crianças, não só adolescentes, mas engenheiros, médicos, pilotos, administradores, cientistas, analistas, tecnólogos, pesquisadores e outros profissionais que ainda surgirão – além de, com sorte e felicidade, inclusive mais professores.

Um estudo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) chegou a uma conclusão que, questionados sobre sua área de interesse, 80% dos entrevistados, entre 15 a 24 anos, citaram Meio Ambiente; 74% Medicina; Ciência e Religião ficaram empatadas com 67%; enquanto 62% mencionaram Esportes. O assunto que desperta menor interesse é a política, mencionada por 30% dos jovens. Independente dessas e de outras novas áreas de conhecimento que direcionarão as carreiras do futuro, o professor é a figura que se encontra no centro de toda essas estruturas da sociedade. É ele quem mostra o caminho, ensina a andar e, se necessário, carrega no colo.

Que possamos, hoje e sempre, nos lembrar daquele que nos deu tanto e recebe tão pouco de volta. Tenho certeza que você se lembra de um professor ou professora que fez a diferença em sua vida. Pense em todo o trabalho que ele teve para poder estar ali quando você precisava. Para ser capaz de responder seus questionamentos ou ensiná-lo a encontrar as respostas. Está na hora de o reconhecermos com a importância a que tem direito. Está na hora de sermos gratos. Agradeça um professor hoje. Faça-o lembrar a importância de sua profissão para a sociedade..

Vanessa Zanoncini é supervisora pedagógica regional do Sistema de Ensino Aprende Brasil.

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Estamos todos saindo da UTI?

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Autor: Jarbas da Silva Motta Junior –

Há 13 anos, passo um grande pedaço do meu dia em um ambiente que, infelizmente, passou a fazer parte da história de muitas famílias a partir do ano passado: a Unidade de Terapia Intensiva. Talvez os significados das palavras desse nome nunca fizeram tanto sentido. Unidade de profissionais que não fazem nada sozinhos, que precisam uns dos outros tanto para as ações “operacionais” como para virar um paciente de bruços ou para discutir os procedimentos cada vez mais multidisciplinares. Terapia atualizada e individualizada com uma rapidez jamais vista, graças à agilidade e ao esforço da ciência. E intensiva em todos os detalhes.

Nas últimas semanas, esses ambientes estão diferentes do que vivenciamos ao longo de quase 20 meses. Vemos as altas de pacientes sem que seus leitos sejam imediatamente ocupados por outros e novos – e em determinado momento da pandemia, literalmente, cada vez mais novos – pacientes. Em alguns dias, deixamos inclusive de ter casos ativos de Covid-19. Isso significa que, pela primeira vez, em mais de 500 dias, não havia pacientes com potencial de transmissão da doença. Para os profissionais de saúde esse é um marco que nos emociona e enche de esperança.

Ao olhar os leitos vazios, não podemos nos esquecer da trajetória até aqui. Uma realidade que nem os mais experientes profissionais estavam preparados. Foram dias em que precisamos encarar como principal desafio manter o paciente vivo para que o próprio corpo pudesse ter forças para combater o Coronavírus. E, para isso, recorremos a procedimentos complexos. Em algumas instituições, o uso da ECMO, por exemplo, chegou a ser nove vezes mais frequente do que antes da pandemia. O aparelho que funciona como coração e pulmão artificial representou novos suspiros para muitos homens e mulheres. Já as diálises, ainda no leito de UTI, cresceram quase 60%.

O médico intensivista reconhece o seu papel como divisor de águas no tratamento de um paciente. A entrada dele em ação deve ser precisa no momento em que o quadro do paciente se agrava e que pode ser irreversível sem esse suporte. E assim, também ser o momento da saída. Mas talvez essa definição nunca foi tão nebulosa quanto na Covid-19. Como doença sistêmica e imprevisível, em cada paciente ela agia de uma forma. E foi a união entre assistência e pesquisa que nos deu o suporte para seguir.

Em muitos momentos, tivemos que lutar com os braços que tínhamos. E eles eram escassos de norte a sul do Brasil. Apenas 1,6% dos médicos brasileiros registrados são intensivistas. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) estima que o país precisaria ter, pelo menos, cinco vezes mais profissionais da área para atender toda a demanda de leitos de UTI. A matemática deixa claro o cansaço, mas as súplicas para voltar da intubação escancaram o peso que esses braços carregaram.

No início, observamos como a doença se comportava e compartilhamos conhecimento com o mundo. Agora, experimentamos os resultados desse movimento, que passa a ser coletivo. Vacinas em tempo recorde, adesão da população e a esperança de volta.

As ligações para as famílias e as longas semanas – até meses – de internamento nos aproximaram de cada um que venceu ou perdeu essa luta. Lidamos como uma tragédia social e humanitária e, apesar de acreditarem que somos heróis, sairemos dela mais humanos.

Jarbas da Silva Motta Junior, médico intensivista e coordenador da UTI do Hospital Marcelino Champagnat

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