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A água não vai acabar, mas precisa ser melhor gerenciada

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Artigo: Samuel Giordano –

O estoque de água no mundo é constante há 500 milhões de anos

Para se debater as questões da água podemos começar pela formação da água no planeta terra. Afinal a água nem sempre esteve presente na terra em sua forma líquida, sólida e ou de vapor. Nos processos de formação da terra, os vulcões emitiram grandes quantidades de gases tais como nitrogênio, gás carbônico, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, metano, vapor d´água e outros. Essas emissões formaram a atmosfera.

Com o passar dos milênios a temperatura diminuiu e os gases começaram a se condensar, formando os núcleos de condensação (também conhecidos como nuvens). Começou-se então um ciclo no qual a precipitação do vapor de água, na forma líquida, começou a retornar à Terra atraída pela gravidade.

A água em seu estado líquido começou a se acumular na superfície, originando os oceanos primitivos com altas concentrações de sais. Com a chuva houve o escorrimento, erosão das rochas, transporte de partículas e acúmulo nas depressões. A infiltração através da superfície formou as águas de subsolo. Com a emersão dos continentes formaram-se as lagoas, rios, pântanos e os primeiros organismos vivos. Com a evolução das plantas começou um processo de grande liberação de oxigênio e absorção de gás carbônico nos processos fotossintéticos.

As rochas mais antigas de ambientes aquáticos datam de 3,8 bilhões de anos. Essa é a indicação do surgimento de água na forma líquida na terra. O oxigênio livre, por sua vez, aparece com os processos de fotossíntese das plantas datando de 2,7 bilhões de anos. Assim, a água que temos hoje no planeta é a mesma, em mesma quantidade, do que antes? Sim. Isso nos remete à questão da falta de água no planeta.

A quantidade de água na terra é estimada entre 1,4 a 1,5 bilhão de km³ e tem permanecido constante durante os últimos 500 milhões de anos.

Apesar de termos a impressão de que a água está desaparecendo, que há falta de água na Terra, a quantidade de água na Terra é praticamente invariável há centenas de milhões de anos.

Portanto, o que muda é o estado da água (sólida, líquida ou vapor) e a sua distribuição.

Aonde estão esses 1,4 bilhão de km³ de água? 97,5% desse total de água presente na terra é constituída de água salgada nos oceanos e mares. Apenas 2,5% é de água doce. A situação de disponibilidade da água doce é agravada pelo fato de que, desses 2,5% existentes, 68,9% estão nas calotas polares e geleiras. Sobram então 30,8% de águas subterrâneas e 0,3% de água superficial nos rios, lagos e na atmosfera. As figuras a seguir refletem os percentuais graficamente.

Os três problemas na questão água são:

– A poluição das águas, principalmente nas áreas urbanas causa escassez de disponibilidade de água limpa para o homem.
– Muitas vezes o uso irracional das águas, a apropriação indevida do recurso natural por poucas pessoas, a falta de gerenciamento adequado de bacias hidrográficas, causam a escassez para muitas populações, especialmente as menos favorecidas.
– Tal qual a distribuição de renda no Brasil, a distribuição das águas é também pouco democrática e desigual causando toda a sorte de problemas, doenças e ausência de renda. O Brasil é um país aquinhoado com a maior quantidade de água do planeta em suas bacias hidrográficas, porém tem uma taxa de irrigação de apenas 5,6% de suas áreas cultivadas enquanto que o sudeste da Ásia irriga cerca de 42% de suas áreas cultivadas. Gerenciar bem as águas e distribuí-las equanimemente, pode ser um caminhjo para gerar emprego, renda e dignidade no campo , principalmente nas regiões de escassez de água.

O ataque a esses problemas pode ajudar o Brasil a sair da inércia e da desigualdade em que se encontra.

  • Samuel Giordano é Professor e Pesquisador Sênior do PENSA-Centro de Conhecimentos em Agronegócios da FIA-USP e Membro do Conselho Técnico do Fórum do Futuro
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Voltar a crescer

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Autor: João Carlos Marchesan –

Tudo indica que 2021 não irá cumprir a expectativa de ser o ano da tão esperada retomada do crescimento. Os primeiros dados disponíveis sobre o comportamento da economia não são bons e analistas independentes estão falando em queda do PIB, não somente neste primeiro trimestre, em relação ao último trimestre do ano passado, mas, possivelmente, também do segundo trimestre face ao primeiro, o que compromete, irremediavelmente, um melhor desempenho para este ano, como um todo.

Considerando que o carregamento estatístico, de 2020, já garantia, mesmo sem crescimento real, um resultado ao redor de 3,6% a.a., isto significa que se o PIB deste ano vier abaixo do piso das projeções do mercado, que era de 3,5%, o Brasil terá mais um ano frustrado em termos de crescimento econômico. O quadro é ainda mais preocupante porque o país estará completando o sétimo ano sem crescimento acumulado, o que significa, na prática, um empobrecimento progressivo dos brasileiros.

A continuidade da pandemia, a situação fiscal, o elevado desemprego, o endividamento das famílias e das empresas…, podem ser invocados para justificar este fraco desempenho, mas, no fundo, apenas confirmam que o país não tem nenhum plano para a retomada do crescimento. Não dá, pelo sétimo ano consecutivo, após termos avançado em leis e reformas importantes como a trabalhista, a previdenciária, o marco do saneamento e tantas outras, continuar culpando a falta de mais reformas por este resultado medíocre.

Ainda que algumas destas reformas, como a administrativa e, principalmente, a tributária sejam importantes, estes últimos anos demonstraram que, embora necessárias, elas não são suficientes para garantir o crescimento. Portanto, está mais do que na hora de abandonar crenças fundamentalistas e ideologias e, de forma pragmática, passar a elaborar uma estratégia de retomada do crescimento que utilize, além das forças do mercado, o enorme poder do Estado reconfirmado, a nível mundial, pela crise de saúde pública.

Esta estratégia passa por imunizar a grande maioria da população, no menor prazo de tempo possível. Se tivermos vacinas, podemos conseguir isto até o terceiro trimestre deste ano, evitando mais uma queda real do PIB o que evitaria piorar a situação dos mais vinte milhões de desempregados e desalentados e, pelo menos, outro tanto de brasileiros que vivem à margem da sociedade, bem como o preocupante aumento da pobreza absoluta, o fechamento de fábricas e o retrocesso na educação.

A par da vacinação, o governo deveria retomar os investimentos públicos em infraestrutura, para criar empregos, até que o crescimento da economia passe a cumprir este papel. A elevada dívida pública não deve ser um impedimento absoluto para bloquear os investimentos públicos, primeiro porque estamos falando de gastos anuais da ordem de 1,0 a 1,5% do PIB, face a uma dívida de quase 90% do PIB e, segundo e mais importante, porque como diz o FMI muito mais importante do que o valor do gasto público é sua qualidade.

A imunização da população e a retomada dos gastos públicos, ainda que nos termos modestos propostos, são os únicos motores disponíveis para podermos voltar a crescer no curto prazo, inclusive em termos de renda per capita, algo que não ocorre desde meados da década passada. Entretanto, manter o crescimento, a médio e longo prazo, a taxas iguais ou superiores ao crescimento mundial, condição necessária para reduzir nosso distanciamento em relação aos países desenvolvidos e em desenvolvimento, exige outras medidas.

Nossa estratégia de desenvolvimento precisa incluir a forte redução das ineficiências sistémicas para assegurar um ambiente macroeconômico favorável ao investimento produtivo, com câmbio competitivo, inflação baixa e sob controle, financiamentos de longo prazo, e juros reais de mercado inferiores à taxa de retorno da produção de bens e serviços. Um ambiente de negócios amigável é outra pré-condição necessária, o que exige um sistema tributário bem mais simples e menos distorcido, marcos regulatórios adequados, segurança jurídica e forte redução das obrigações acessórias.

Tal ambiente implica, ainda, na disponibilidade de energia a custos adequados, no estabelecimento de uma robusta rede de comunicações de alta velocidade que interligue o país e seja acessível à grande maioria da população brasileira, e em avanços substanciais e contínuos em nossa logística. Isto irá eliminar dos custos de produção de bens e serviços nacionais o peso do custo Brasil que, atualmente, reduz fortemente a competitividade brasileira e deixa em desvantagem nossos produtos, tanto nas exportações quanto no mercado interno.

Políticas públicas de desenvolvimento devem permitir que o setor produtivo retome os investimentos tanto em máquinas e equipamentos quanto em tecnologia, essenciais para garantir ganhos de produtividade. A reconstrução da competitividade empresarial, o fortalecimento das cadeias produtivas e a reversão do processo de desindustrialização deverão contar com políticas para suportar os esforços empresariais com os programas de digitalização, com o sensoriamento inteligente e a administração dos big data resultantes, via I.A. e plataformas de integração.

Estas políticas públicas devem prever, ainda, forte apoio à P&D, e inovação do setor privado, com recursos parcialmente a fundo perdido, com a colocação de encomendas tecnológicas do setor público junto às empresas e com o uso intensivo do poder de compra do Estado para direcionar o desenvolvimento para as tecnologias emergentes e de retorno longo ou duvidoso, bem como o aumento dos recursos públicos destinados à ciência e à pesquisa básica e aplicada, principalmente nas áreas de saúde, biotecnologia, energia renovável, novos matérias, baterias de alta eficiência, microeletrônica….

Finalmente, a educação de qualidade em todos os níveis e, principalmente, a formação de uma massa crítica de recursos humanos, bem qualificados, nas novas áreas do conhecimento é essencial para suportar este esforço nacional de desenvolvimento, capaz de garantir um mínimo de segurança industrial ao país o que, junto com a segurança alimentar, energética e militar garantem a nossa soberania permitindo que o crescimento sustentado, se dê na direção da melhoria da qualidade de vida da população brasileira e com a democratização das condições de acesso às oportunidades para todos.

  • João Carlos Marchesan é administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ
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